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A doula e a humanização do nascimento

"Nossa espécie é a que menos prestigia o nascimento. Nossas fêmeas são separadas de pessoas queridas, não podem se alimentar e têm que parir os filhos numa sala gelada, em uma mesa, de pernas abertas como animais de abate"
Postado em: 02/06/2017 às 17:12
Autor: Cristiane Tarcinalli Moretto Raquieli
A doula e a humanização do nascimento
Imagem ilustrativa

O parto exerce uma atração em todos os seres humanos. Portanto, falar em humanização do parto é redundar algo que deveria ser inerente a nossa espécie.

Somos humanos, parimos como mamíferos da espécie humana e, logo, deveríamos ser cuidados como todas as criaturas. Se olharmos para os mamíferos, veremos como são cuidadosos com seus filhotes, quando estão prestes a dar à luz, buscam segurança, paz, solidão. Seus filhotes são recebidos no aconchego do contato com a mãe, limpos pela fêmea e logo colocados para mamar. Se alguém se aproxima e tenta tirá-los da mãe, ela fica extremamente agressiva.

Então por que é que com a nossa espécie, a hora de nascer é tão cheia de aparatos tecnológicos e intervenções desnecessárias? Por que nossos filhotes são recebidos por pessoas estranhas, esfregados com panos, colocados numa caixa plástica e separados de suas mães?

Nossa espécie é a que menos prestigia o nascimento. Nossas fêmeas são separadas de pessoas queridas, não podem se alimentar e têm que parir os filhos numa sala gelada, em uma mesa, de pernas abertas como animais de abate, olhando rostos estranhos tocando suas partes mais íntimas. Além disso, nossos filhotes são impedidos de ter o primeiro contato com suas mães logo após o parto. São colocados em berçários, lavados em ambientes estéreis, por seres usando luvas de borracha. Depois de longo tempo, limpos e embrulhados em suas roupas, eles são entregues a mães assustadas e exaustas e, pela primeira vez, poderão ter tempo a dois.

Será que essa diferença tão gritante passa despercebida a todos nós? Portanto, humanizar o nascimento é devolver o protagonismo do parto à fêmea, deixar que ela escolha o seu lugar seguro, que ela acolha seu filhote, que ela o coloque para mamar no tempo deles, que o processo de parto seja natural, fisiológico, sem intervenções desnecessárias.

A doula é um profissional que adentra esse cenário de caos para resgatar tudo o que é humano no nascimento. A doula prepara a mulher e o casal e os informa sobre os processos de nascimento e parto. Esclarece dúvidas, dissipa os medos e, principalmente, ajuda a mulher a atravessar o trabalho de parto, iniciar, consolidar e prolongar a amamentação, fazendo-se  presente no período de puerpério para ajudar a mulher a se reconhecer como mãe.

Cabe a doula encorajar, permitir, dar espaço para que a mulher floresça em sua plenitude de fêmea. Ela torna o ambiente de parto aconchegante e traz para a mulher, após o parto, momentos do seu trabalho de parto que ficaram esquecidos. A doula acolhe, ampara, encoraja. Cabe também à ela cuidar para que as necessidades imediatas da mulher em trabalho de parto sejam supridas imediatamente.

Doula e Humanização andam juntas e têm espaço para que todos os profissionais do parto façam o seu papel, em equipe, transformando esse momento marcante em um momento inesquecível.

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