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Blogs Guilherme Quintão Cientista político e diplomata de carreira Atualmente trabalha na Embaixada do Brasil na França
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Petistas, tucanos e o fator Bolsonaro

"[...] Ao que tudo indica, tucanos e petistas continuarão fortes na disputa, mas o advento de uma candidatura de extrema-direita com chances reais de chegar ao poder mudará a feição do pleito"
Postado em: 28/11/2017 às 15:27
Autor: Guilherme Quintão

Após mais de vinte anos e seis eleições presidenciais centradas no binômio PSDB-PT,  o pleito de 2018 projeta nova configuração das forças eleitorais no Brasil, no nível presidencial. Ao que tudo indica, tucanos e petistas continuarão fortes na disputa, mas o advento de uma candidatura de extrema-direita com chances reais de chegar ao poder mudará a feição do pleito e forçará as duas siglas a se reposicionarem no espectro político.

De um lado, o PT encontra no fortalecimento de Jair Bolsonaro uma maneira de se radicalizar à esquerda e ganhar segmentos do eleitorado que têm ojeriza ao discurso conservador.  No contexto do “petismo raiz” redivivo, Marina Silva foi precisa sobre a viabilidade de Lula e Bolsonaro: “um não sobrevive sem o outro”.

O pré-candidato da extrema-direita e seus seguidores permitem a Lula sentir-se à vontade para praticar um discurso que o PT havia sido forçado a abandonar nas quatro últimas eleições presidenciais. A tese da perseguição por parte da imprensa e do Judiciário também tem seu papel: há muito tempo não se via Lula esbravejar tão radicalmente contra a Rede Globo.

O “retorno às raízes” também parece aplicar-se ao PSDB. O movimento, que deve resultar em leve guinada do partido à esquerda, acontece pela necessidade tucana de ocupar um vazio deixado ao centro do espectro político, em contexto de radicalização de discursos de toda ordem.

Desde que saiu do poder em 2003, o PSDB encontra-se no seguinte dilema: fazer oposição às gestões do PT na área social ou honrar o ideário da “Social-democracia”, que lhe empresta o nome. Até recentemente, o partido parecia inclinado à primeira via, ao projetar figuras com discurso algo conservador e radicalmente anti-petista, como João Doria. 

Mas o recente ‘mea-culpa’ patrocinado por Tasso Jereissati, a instatisfação de altos membros tucanos com a permanência do PSDB no atual governo e a unificação do partido em torno de Geraldo Alckmin, pupilo de Mário Covas, revelam uma opção final do partido por um retorno às origens e uma leve guinada à esquerda. A estratégia parece clara: ao menos para a opinião pública, opor-se radicalmente ao PT neste momento é, necessariamente, aproximar-se de Bolsonaro e reverberar teses conservadoras que nunca combinaram com a doutrina histórica do partido.

Guardadas as devidas particularidades, já que no caso tucano não parece haver renovação relevante dos quadros políticos, a estratégia lembra o movimento de Emmanuel Macron nas eleições francesas deste ano. O atual presidente do “La République en Marche !”, ex-sócio do banco Rotschild e ex-membro do Partido Socialista (esquerda), baseou sua candidatura na ideia de que sua gestão seria “social-liberal” e não estaria “nem à direita, nem à esquerda”. Assim, ofereceu-se como alternativa a Marine Le-Pen (extrema-direita) e a Jean-Luc Mélenchon (extrema-esquerda), seus maiores adversários no pleito presidencial.

É claro que o caso brasileiro ainda guarda enormes diferenças, a começar pelo desdobramento da Operação Lava-Jato, pelo peso eleitoral do PMDB e do centrão, pela evolução de outras candidaturas (Marina Silva, Ciro Gomes, Henrique Meirelles) e pela ainda possível presença de ‘outsiders’ no pleito (mesmo depois da desistência de Luciano Huck).

De todo modo, o quadro começa a se desenhar.

 

(As opiniões aqui expressas não necessariamente refletem a posição do Governo brasileiro)

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