agora, no ar:
...
...
  
agora, no ar:
...
...
  
agora, no ar:
...
...
Blogs Luís Antonio Jornalista e Sociólogo, Luís Antonio integra a equipe do Jornal da Morada, da Rádio Morada do Sol de Araraquara. É formado em Ciências Sociais pela Unesp/Araraquara

Indigência docente

Professores que atuam na famigerada categoria "O" ficam até três meses sem salários. As justificativas burocráticas não conseguem disfarçar a falta de respeito com os educadores brasileiros, que agora também são chamados de doutrinadores e afins
Postado em: 17/04/2019 às 17:53
Autor: Luís Antonio
Indigência docente

Em São Paulo, o estado mais rico da nação, professores chegam a ficar até três meses sem salários.

Isso não é fakenews! É o que acontece em São Paulo com os professores categoria “O”, que são os profissionais que trabalham por contrato, sem a efetividade do cargo, para suprir as vagas não preenchidas em concurso público. Esses profissionais são fundamentais para o funcionamento da rede de ensino, sem eles milhares de alunos ficariam sem aulas, mas são tratados como coisa sem valor.

O pior é que isso não é novidade! Há cerca de 10 anos, esse jornalista que vos escreve enfrentou a mesma situação. Ingressei na rede de ensino como professor eventual, na famigerada categoria “O”. Trabalhou por três meses até poder ver a cor do dinheiro. Quem depende exclusivamente disso para viver, ou passa foi ou abandona o cargo e vai fazer outra coisa para colocar o pão na mesa.  

Já estamos em 2019 e João Doria, o governador que se apresenta como gestor, mais do que político, não conseguiu evitar um problema de gestão. A explicação é digna de risos. A Diretoria Regional de Ensino de Araraquara emitiu um comunicado às escolas dizendo, entre outras coisas, o seguinte.

“[...] esclarecemos que muitos docentes no Estado estão sem pagamento provisionado ou não estão recebendo pelas aulas em substituição da carga horária. Conforme orientação do CEPAG, não é para enviar documentação pra SEFAZ, pois será gerada Folha Suplementar em abril, sem data definida, tem que acompanhar. Solicitamos que deem ciência aos docentes e não adianta mandá-los na DE, pois não temos visão ainda dessa Folha Suplementar [...]”. A nota ainda faz menção a outras siglas, como RS/PV, GOEs, etc.

Essas tantas siglas e abreviações é a porta de saída para quem se preparou para entrar na rede. Quem suportaria ficar dois ou três meses sem salário? Como fazer para pagar as contas? Talvez se possa dizer o mesmo que disse a Diretoria de Ensino: “Não adianta mandar cobrança, ainda não tenho previsão de pagamento”. Piada, mas é verdade.

É assim que os professores são tratados.  É assim que o país trata a educação. Talvez isso explique muito a situação em que nos enfiamos.

Relacionadas

Luís Antonio
Infância roubada
04/04/2019 às 17:20
Luís Antonio
Uma trombada presidencial
04/01/2019 às 17:13
Luís Antonio
Meninos sem pátria
04/10/2018 às 16:43

Blogs e colunas

Luís Antonio
Luís Antonio
Indigência docente
17/04/2019
Murilo  Reis
Murilo Reis
Na dúvida, fico com a cerveja
03/05/2019
Maria Isabel  Escarmin
Maria Isabel Escarmin
Uma nota sobre a solidão
02/10/2017
Guilherme  Quintão
Guilherme Quintão
O terceiro turno de Bolsonaro
30/10/2018
Matheus  Santos
Matheus Santos
Agora mais essa, o Bolsa Cidadania
17/05/2019
Cristiane Tarcinalli  Moretto Raquieli
Cristiane Tarcinalli Moretto Raquieli
Apoiar, acolher e integrar
18/07/2017
Adalberto Cunha
Adalberto Cunha
O uso do plástico na sociedade atual
22/12/2017
Vaine Luiz Barreira
Vaine Luiz Barreira
Meltdown e Spectre
08/01/2018
Rodrigo Viana
Rodrigo Viana
Ignácio, o imortal
15/03/2019
Marcelo  Bonholi
Marcelo Bonholi
Indignação seletiva
17/05/2019