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Blogs Luís Antonio Jornalista e Sociólogo, Luís Antonio integra a equipe do Jornal da Morada, da Rádio Morada do Sol de Araraquara. É formado em Ciências Sociais pela Unesp/Araraquara

As obras do OP precisam sair do papel

"A propaganda oficial diz que uma vez deliberado pelo povo, cabe à Prefeitura incluir a demanda no orçamento do ano seguinte. Mera ilusão!"
Postado em: 11/07/2019 às 17:37
Autor: Luís Antonio

>Desde que foi retomado, em 2017, o Orçamento Participativo vem se consolidando como uma experiência de participação popular em Araraquara. Se no início dessa retomada, o governo era acusado de direcionar as votações para os seus próprios interesses, nas plenárias de 2019 a mobilização de moradores fez a diferença nas votações.

>No Brasil, a experiência democrática se limita, muitas vezes, ao comparecimento às urnas a cada dois anos. Porém, a democracia é uma experiência que exige prática cotidiana para que possa ser vivenciada plenamente. Foi isso que se viu, por exemplo, com o caso da comunidade do São Geraldo, bairro tradicional de Araraquara, que se mobilizou e votou pela reforma da praça. Até o padre usou o púlpito da igreja para conclamar os fieis sobre a necessidade de participação. Um belo exemplo de como a democracia se faz a partir de ações concretas e cotidianas.

>Foi assim também na Plenária da Cidade, a último do calendário, que mobilizou pessoas ligadas a área da cultura e colocou a reforma da Casa da Cultura, prédio histórico que serve à formação artística e cultural de centenas de pessoas, como a proposta vencedora no âmbito municipal.

>Se por um lado o OP tem se mostrado um importante instrumento de participação popular, por outro escancara as limitações da administração em executar aquilo que a população determina. A propaganda oficial diz que uma vez deliberado pelo povo, cabe à Prefeitura incluir a demanda no orçamento do ano seguinte. Mera ilusão!

>Em Araraquara, uma boa parte das obras votadas em 2017, ainda no início da gestão Edinho Silva, ainda não saiu do papel. Outras, como a reabertura do antigo “Pronto Socorro” do Melhado, dependem de emendas parlamentares para ser concretizadas.

>Com tantos entraves, resta à população a amarga sensação de que, na prática, o orçamento municipal é um tanto quanto impenetrável. Não basta querer, mobilizar-se e votar, se a arrecadação não é condizente com o discurso oficial.

>Para que o OP seja efetivo, de fato, as demandas precisam ser incorporadas ao orçamento municipal. Caso contrário, a ideia cai em descrédito e vira uma marca vazia para um governo ineficiente.

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