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Blogs Luís Antonio Jornalista e Sociólogo, Luís Antonio integra a equipe do Jornal da Morada, da Rádio Morada do Sol de Araraquara. É formado em Ciências Sociais pela Unesp/Araraquara

Spotlight e o jornalismo relevante

Filme aposta em fórmula clássica para exacerbar importância de uma história - e do jornalismo corajoso em tempos de crise das mídias
Postado em: 10/10/2016 às 15:45
Autor: Luís Antonio
Spotlight e o jornalismo relevante

Se enquanto obra cinematográfica Spotlight – Segredos Revelados, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2016, pouco inova, enquanto história exala um senso de urgência que contagia público, especialmente se na platéia estiver um jornalista.

O filme começa no início da crise da mídia impressa, no nascer do século XXI, e que só viria a se agravar dali em diante. O jornal The Boston Globe, ao registrar perda de leitores, troca o editor e tenta reencontrar sua relevância.

Sem revelar detalhes da história, o que se pode dizer é que o jornal consegue  cumprir a proposta e alcança a almejada importância justamente fazendo aquilo que para o jornalismo é essencial: contar história.

É óbvio que, antes da história, vem um minucioso trabalho de apuração, que requer empenho e coragem, muita coragem. A igreja de Boston representa o que a política ou o poder econômico alcança em outros lugares. Quem conhece minimamente uma redação de jornal sabe o quanto é penoso mexer com interesses por meio das palavras. Ou o jornalismo assume essa máxima ou, de fato, falará para um público  cada vez menor e alcançará, consequentemente, cada vez menor importância. Nenhuma sociedade que almeja forte pode desejar uma imprensa enfraquecida. Spotlight, o filme, confirma isso.

Como nem tudo são flores, observado sob aspectos cinematográficos, o vencedor do Oscar terá dificuldade em sustentar sua estatueta com o passar dos anos. É clássico em sua concepção, baseando sua estrutura apenas na força do roteiro. Nenhuma virada na trama, nenhum aparato técnico consistente e interpretações razoáveis apenas. Tanto que ao final da sessão serão poucas – pra não dizer nenhuma – as cenas com poder de permanecer na cabeça do espectador.


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