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Blogs Luís Antonio Jornalista e Sociólogo, Luís Antonio integra a equipe do Jornal da Morada, da Rádio Morada do Sol de Araraquara. É formado em Ciências Sociais pela Unesp/Araraquara

Eleições: aqui e acolá

As eleições de 2016 já refletem o esgotamento da polarização PT x PSDB vigente na política brasileira nas últimas décadas. Em Araraquara, como isso se reflete?
Postado em: 20/07/2016 às 15:09
Autor: Luís Antonio
Eleições: aqui e acolá

No próximo dia 16 de agosto, as eleições, enfim, começam pra valer. O termo “pré-campanha” usado até agora pode ter adequado as ações dos candidatos à legislação eleitoral, mas não impediu que as candidaturas ganhassem espaço e tomasse corpo nas ruas – umas mais discretamente, outras nem tanto. O fato é que a largada já foi dada há muito tempo.

O cenário político brasileiro gerou efeitos imediatos nas disputas municipais.  Com o cambaleante projeto petista e a oposição tucana sufocada pela ânsia do PMDB, a polarização PT x PSDB pode ter chegado ao fim. Ainda é possível que um entre os dois partidos reassumam a presidência em 2018, mas a fragmentação política permitirá um número maior de candidaturas.

A capital paulista é exemplo claro dessa nova dinâmica. Russomano, Marta, Haddad, João Dória e Erundina: numa eleição de tiro curto, com 45 dias propriamente de campanha, qualquer um pode assegurar vaga no segundo turno.

Se parece bom para a democracia mais opções para votar, ruim para quem vencer as eleições: em nome da governabilidade, quem era adversário nas eleições, será obrigado a angariar apoios sob lógicas obscuras, baseada em acordos espúrios e concessão de pedaços da máquina pública.

Em Araraquara, a história se repete. Depois de oito anos de Edinho Silva, sucedidos por mais oito de Barbieri, o cenário político se pulverizou: seis candidaturas foram oficializadas.

O número de candidatos nessas eleições é o mesmo de 2008, mas o contexto político nos remete a outras eleições. 1988 é a primeira referência, pois foi o ano com sete candidaturas. De Santi levou a melhor e se elegeu pela segunda vez, numa disputa apertada contra Massafera, que teve cinco mil votos a menos e também se tornaria prefeito quatro anos depois. Além dos dois, icônicos da política local, disputaram aquele pleito João Bosco Faria, o primeiro candidato petista de Araraquara, Waldemar Safioti, Roberto Alves Cintrão, João Simão e Joel Aranha - os três últimos com votações insignificantes.

A segunda referência é a eleição de 2000, que elevou Edinho Silva ao posto de prefeito e projetou a carreira política do militante e vereador à condição de uma das principais lideranças do PT no estado de São Paulo. Há 16 anos, Araraquara assistiu a uma das mais acirradas disputas políticas, com Barbieri, Massafera e Coca Ferraz, além da candidatura do professor Daury Speranza. É possível dizer que Edinho chegou lá pela divisão dos votos considerados mais “conservadores” entre os demais concorrentes.

O que favoreceu o petista lá atrás, pode favorecê-lo novamente. Edinho Silva, que venceu a corrida eleitoral em 2000 na condição de azarão, agora tem pinta de favorito. Segundo todas as sondagens feitas até o momento, é o candidato a ser batido, apesar da Lava Jato, que assombra sua candidatura.

Terá a atual multiplicação de candidatos força suficiente para provocar um resultado imprevisível? O ciclo PT x PMDB também chegou ao esgotamento? PSDB, PSB e PRB têm força para se erguer uma nova frente?

Deixo isso para uma postagem  futura.


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