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Blogs Matheus Santos Administrador Público e Mestre em Ciências Sociais pela UNESP/Araraquara e Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP
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Para o bem do Brasil, Bolsonaro precisa sair

"[...] ninguém está acima da Constituição Federal, bem como nenhuma instituição ou um dos três autônomos poderes"
Postado em: 06/05/2020 às 09:26
Autor: Matheus Santos

Algumas premissas precisam ser estabelecidas para esse diálogo, dentro do ideário que constitui a Nova República do Brasil – compreendida a partir de 1988 até os dias atuais. A primeira é que ninguém está acima da Constituição Federal, bem como nenhuma instituição ou um dos três autônomos poderes; em outras palavras, é preciso ter compromisso institucional. A segunda é sobre o fato de pactuarmos quais os princípios morais e éticos a sociedade precisa manter para que todos os indivíduos possam conviver, respeito humano.

O Presidente Jair Bolsonaro, no que pese todas as suas próprias denúncias contra o sistema eleitoral brasileiro, foi eleito pelo voto popular e com a participação, ou seja, reconhecimento, das demais forças políticas organizadas. No entanto, baseado nas premissas ditas anteriormente, isso não significa um "cheque em branco" para que o ocupante temporário da cadeira da Presidência da República possa agir ao bel prazer. Bolsonaro já cometeu inúmeros crimes de responsabilidade – base jurídica para qualquer impeachment de um Presidente segundo nossa Constituição -, mas não só, ele age, diuturnamente, contra o presente e o futuro do próprio povo, a quem deve lealdade e serviço. Além das recentes denúncias de seu ex-ministro da justiça sobre suas perenes tentativas de intervir na Polícia Federal, órgão de estado, para tomar conhecimento de investigações sobre ele e seus familiares.

Destrói o presente quando decide ser empecilho para as discussões e o entendimento não só da Administração Pública nacional, mas do próprio povo, no combate à maior epidemia da história recente da humanidade. Todos os dias ele e membros de seu governo, nos últimos dois meses, fizeram questão de formular e compartilhar notícias falsas, entendimentos duvidosos e até tiveram a ousadia de receitar remédios – algo restrito aos formados em medicina e com autorização de órgão competente. Tentou impedir governadores de atuarem conforme suas necessidades e, sempre que teve a oportunidade, confrontou todas as autoridades nacionais e mundiais no assunto. Sem pudor e sem sensibilidade desdenhou da dura realidade das milhares de famílias brasileiras que já perderam seus entes e do esforço, descomunal, que os profissionais da saúde e da segurança pública, por exemplo, vêm fazendo diante desse enorme desafio – médicos, enfermeiros e policiais estão entre as categorias mais afetadas pelo covid-19.

Está "rifando" o futuro porque o próprio Presidente e toda sua equipe não conseguem – ou se negam – a compreender o tamanho do desafio econômico que está posto para todos nós, onde é preciso abrir mão de conceitos já comprovadamente ultrapassados. Não "lembram" que o Brasil já vinha de crise econômica desde o governo Dilma, passando por Temer e se aprofundando com Bolsonaro e que a pandemia impede a formulação da saída por esse entendimento econômico de Bolsonaro e Guedes, base estrutural de sua eleição. Não abrem e não abrirão mão, vão até o fim, mesmo que isso custe o fim de CNPJ's e CPF's.

Para o bem do Brasil, Bolsonaro precisa sair da Presidência. Não só para enfrentarmos o problema de hoje, mas para podermos reconstruir o pacto político-institucional que permita que o Brasil construa a saída de toda essa crise de saúde e economia. Pacto que re-compreenda o papel do Estado, o compromisso das empresas, as liberdades e deveres dos indivíduos e de todas as demais organizações. Para isso, o ambiente precisa ser de solidariedade, patriótico, compreensivo e de muito compromisso com o povo brasileiro. Todas essas qualidades, nem Bolsonaro e nem seu Governo, conseguiram demonstrar que possuem, pelo contrário, provam dia sim e dia também que essas ausências são irreversíveis.

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