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Blogs Matheus Santos Administrador Público e Mestre em Ciências Sociais pela UNESP/Araraquara e Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP
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Janelas pela democracia: o primeiro passo

Acontece hoje, terça-feira 19 de maio às 18h30 nas redes sociais, a manifestação pelo impeachment do Presidente Jair Bolsonaro denominada de Janelas Pela Democracia. Evento suprapartidário, plural e de compromisso com o povo brasileiro na construção desse entendimento popular.
Postado em: 19/05/2020 às 16:31
Autor: Matheus Santos
Janelas pela democracia: o primeiro passo

Acontece hoje, terça-feira 19 de maio às 18h30 nas redes sociais, a manifestação pelo impeachment do Presidente Jair Bolsonaro denominada de Janelas Pela Democracia. Evento organizado pelos partidos de oposição, PSB, PDT, REDE Sustentabilidade, PV e Cidadania e tem como objetivo dialogar com a sociedade brasileira sobre os crimes de responsabilidade já cometidos pelo atual Presidente da República. Sua forma respeita os limites do combate ao novo coronavírus.

O impedimento de um Presidente da República deve ser baseado juridicamente na comprovação de crimes de responsabilidade. No entanto, sua “natureza” além de jurídica é também política, ou seja, não acontecerá só pela comprovação do crime, mas também pela vontade popular – que constranja os integrantes do Congresso Nacional. Gostemos ou não, essa é a realidade e muitas vezes, como já vimos anteriormente, a força política de um impeachment é mais sólida que as provas sobre o crime.

Mas, no caso do Presidente Bolsonaro, a reflexão é justamente o contrário. Está mais do que comprovada sua interferência da Polícia Federal para proteger a si mesmo e seus filhos; suas ações que bloquearam e atrapalharam Governadores e Prefeitos no combate à Covid-19; a participação de seu grupo político na organização de atos antidemocráticos que tentam contra as instituições da República – inclusive organizando grupelhos paramilitar -; e, na sua possível infecção pela nova doença, uma deliberada postura de retransmitir o novo coronavírus, no estímulo e participação de aglomerações. Lembremos que parte significativa da comitiva presencial, que no começo do ano foi aos EUA, estava infectada e que o Presidente se negou, durante semanas, a apresentar seus três exames e quando o fez nenhum deles estava em seu nome.

Assim, não há qualquer suspeita jurídica para se propor o impedimento do Presidente da República, mas ainda resta a construção política. Bolsonaro se antecipou e trouxe para seu governo o esgoto da política como Valdemar Costa Neto, Roberto Jefferson e outros. Sem qualquer pudor, joga o jogo que prometeu não jogar. Sabendo que a lealdade destes é corrompível.

Na verdade, o que o Presidente ainda mantém de popularidade e a manutenção de sua pauta econômica são o suficiente para tornar árduo o caminho do impeachment. A elite financeira não suporta Bolsonaro, sua família, a proximidade com milicianos cariocas e sua postura execrável, porém o mantém pelos interesses mesquinhos de ganhar dinheiro em cima do sofrimento público – lembremos que Bolsonaro/Guedes lutaram muito contra o auxílio emergencial, mas, logo no começo, arrumaram 1,2 TRILHÃO de reais para o sistema financeiro em liquidez.

E sua popularidade é baseada em um fenômeno recente de distanciamento da realidade por parte significativa da população. Inventam fantasmas e inimigos para justificar qualquer ato daquele que, na sua divagação, tem a tarefa divina de defende-los. Não é exclusividade nossa, é algo que está acontecendo em vários lugares do mundo e já ocorreu na História. Só que a pandemia está destruindo essa relação, com muito pesar e tristeza pela morte de milhares de brasileiros, a dilaceração de incontáveis famílias, a exposição dos profissionais de saúde e demais da linha frente e a luta inglória da sociedade contra um inimigo invisível e implacável, enquanto seu Presidente passeia de jet-ski e promete que nada passa de uma “gripezinha”.

O Janelas pela Democracia é o primeiro passo, suprapartidário, plural e de compromisso com o povo brasileiro na construção desse entendimento popular. Não devemos banalizar o pedido de impeachment de um Presidente da República e é exatamente o que este evento não faz. Tem respeito pelo voto, pelas regras do jogo, mas também entende que não há mais condições da permanência de Jair Bolsonaro. Pois, deveríamos todos, liderados pelo Presidente, estar focados no combate à Covid-19 e no tratamento dos impactos econômicos, construindo opções para que nossas empresas e trabalhadores se mantenham. Mas, nada disso está ocorrendo, pelo contrário, demora-se dois meses para apresentar propostas no campo da economia e se demite, por puro sentimento tacanho, dois Ministros de Saúde atrasando toda organização nacional e confundindo o povo e as instituições.

#ForaBolsonaro

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