agora, no ar:
...
...
  
agora, no ar:
...
...
  
agora, no ar:
...
...
Blogs Murilo Reis Professor, mestre em Estudos Literários pela Unesp e autor do livro de contos "Identidades secretas"
FALE COM O COLUNISTA:

Prática de estilo

"Garretsen diz ser alguém que não deseja atingir a perfeição. Apenas pratica o máximo que pode seu ofício."
Postado em: 13/10/2020 às 17:03
Autor: Murilo Reis
Prática de estilo
Cena de Apocalypse Now

Antes de falar sobre sua carreira profissional, o fotógrafo reflete a respeito de sua vida. Na infância, foi um incompreendido, parte de uma sociedade em que as perguntas e os questionamentos não eram bem-vindos. Ao contrário de outras pessoas da mesma faixa etária, desagradava seus professores, pois não fazia o que mandavam.

Tais reflexões são da autoria de Chas Garretsen, responsável por registrar bastidores e cenas de Apocalypse Now. Além de seu testemunho, imagens inéditas estão no documentário Dutch Angle: fotografando Apocalypse Now. Anteriormente, ele havia fotografado a guerra do Vietnã in loco, o que lhe rendeu bagagem curricular mais do que suficiente para trabalhar dentro da loucura de Francis Ford Coppola.

Embora Coppola tenha filmado muitas vezes na base da intuição artística, o fotógrafo holandês sabia o que estava fazendo. Seu plano era montar sua própria sequência de imagens, mostrando outra perspectiva da mesma história, já que boa parte de suas fotos não dizem respeito a cenas que permaneceram até a edição final. Aqueles que tomarem contato com seus recortes conhecerão outras linhas narrativas, fragmentos que contribuem para o enriquecimento da fábula original.

Garretsen diz ser alguém que não deseja atingir a perfeição. Apenas pratica o máximo que pode seu ofício. Busca melhorar a cada dia porque gosta daquilo que faz. Para isso, não há outro caminho senão praticar, comemorando a cada pequena melhora do enquadramento. É indescritível a alegria de saber que aquela válvula esteve ali o tempo todo, mas nunca seria descoberta sem trabalho.

Em um congresso, João Ubaldo Ribeiro disse que, todos os dias, se levantava às quatro da manhã, regava suas plantas e começava a escrever. Não importava se era um ensaio, uma crônica ou um romance. O autor de O albatroz azul colocava a si próprio uma quantidade mínima de palavras. Boas ou ruins, elas tinham que ir para a tela do computador.

Os hábitos do escritor brasileiro e do fotógrafo holandês talvez sejam semelhantes nesse sentido. Para atingir algo próximo da perfeição, não há outro caminho que não seja o do trabalho. No fazer artístico, esse processo pode ser chamado de prática de estilo.

Relacionadas

Murilo Reis
Um notebook e uma Pentel
26/10/2020 às 09:22
Murilo Reis
Sobrevida a universos mágicos
21/10/2020 às 10:40
Murilo Reis
Invisível a olhos desatentos
28/09/2020 às 17:17

Blogs e colunas

Murilo  Reis
Murilo Reis
Um notebook e uma Pentel
26/10/2020
Maria Isabel  Escarmin
Maria Isabel Escarmin
Uma nota sobre a solidão
02/10/2017
Guilherme  Quintão
Guilherme Quintão
O terceiro turno de Bolsonaro
30/10/2018
Matheus  Santos
Matheus Santos
Deixo aqui um até breve
10/08/2020
Cristiane Tarcinalli  Moretto Raquieli
Cristiane Tarcinalli Moretto Raquieli
Apoiar, acolher e integrar
18/07/2017
Adalberto Cunha
Adalberto Cunha
O uso do plástico na sociedade atual
22/12/2017
Vaine Luiz Barreira
Vaine Luiz Barreira
Meltdown e Spectre
08/01/2018
Rodrigo Viana
Rodrigo Viana
Ignácio, o imortal
15/03/2019
Marcelo  Bonholi
Marcelo Bonholi
A matemática do medo
30/04/2020