agora, no ar:
...
...
  
agora, no ar:
...
...
  
agora, no ar:
...
...
Blogs Murilo Reis Professor, mestre em Estudos Literários pela Unesp e autor do livro de contos "Identidades secretas"
FALE COM O COLUNISTA:

Poucos livros para compor uma biblioteca

" Pela Todavia, saiu A república das milícias: dos esquadrões da morte à era Bolsonaro, do jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso – vi alguém elogiar, no Twitter, o ritmo policialesco que embala a passagem de uma página a outra."
Postado em: 09/11/2020 às 18:05
Autor: Murilo Reis
Poucos livros para compor uma biblioteca

Entre 9 e 15 de novembro, será realizada a feira do livro da USP. Nela, as editoras comercializam seus produtos pela metade do preço. Dessa vez, por causa das restrições impostas pela pandemia, o evento se dará de forma virtual.

Caneta e papel na mão, começo a refletir sobre desejos que poderiam ser realizados a preços menos salgados. A editora Rocco acaba de lançar luxuosa reunião das cartas de Clarice Lispector, escritos em que a autora disserta sobre os mecanismos de sua obra. Pela Todavia, saiu A república das milícias: dos esquadrões da morte à era Bolsonaro, do jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso – vi alguém elogiar, no Twitter, o ritmo policialesco que embala a passagem de uma página a outra.

Estou ponderando se devo incluir na lista Telégrafo visual: crítica amável de cinema, de David E. Neres, esse da Editora 34, quando me lembro da estante e das caixas abarrotadas de livros que decoram meu quarto. Lá, há títulos que muito provavelmente não darei conta de ler até o fim da vida.

Em “As aventuras do fotógrafo”, conto de Italo Calvino, Antonino tem a ideia de compor um catálogo de objetos que normalmente são evitados por retratistas. Passa dias dentro de casa, registrando as mesmas coisas (cinzeiros cheios de tocos de cigarro, a cama desfeita, uma mancha de umidade na parede) e percebendo como elas se modificam conforme a claridade se altera.

A partir do projeto de Antonino, imaginei um sujeito que decide selecionar poucos livros para compor uma biblioteca que o acompanhará pela vida inteira. São no máximo dez volumes, carregados para cima e para baixo, entre hotéis e pensões, casas e apartamentos. Ele leria, claro, coisas novas, todas emprestadas. Mas, acima de tudo, jamais deixaria de reler aquela dezena de edições amareladas, todas mantidas ao alcance de seu olhar.

Assim como Antonino, que gasta uma infinidade de filmes apontando a câmera para um mesmo objeto, perceberia, a cada releitura, que a experiência se modifica de acordo com a luminosidade do momento, revelando imagens que mostram diferentes facetas de uma única coisa.

Por fim, tomo uma decisão: em vez de Telégrafo visual, talvez fosse melhor inserir os três volumes de O Capital, editados pela Boitempo, entre minhas pretensões.

Relacionadas

Murilo Reis
Machado de Assis e os leitores da Indonésia
25/11/2020 às 16:29
Murilo Reis
A imagem que fala por si
03/11/2020 às 18:15
Murilo Reis
Um notebook e uma Pentel
26/10/2020 às 09:22

Blogs e colunas

Maria Isabel  Escarmin
Maria Isabel Escarmin
Uma nota sobre a solidão
02/10/2017
Guilherme  Quintão
Guilherme Quintão
O terceiro turno de Bolsonaro
30/10/2018
Matheus  Santos
Matheus Santos
Deixo aqui um até breve
10/08/2020
Cristiane Tarcinalli  Moretto Raquieli
Cristiane Tarcinalli Moretto Raquieli
Apoiar, acolher e integrar
18/07/2017
Adalberto Cunha
Adalberto Cunha
O uso do plástico na sociedade atual
22/12/2017
Vaine Luiz Barreira
Vaine Luiz Barreira
Meltdown e Spectre
08/01/2018
Rodrigo Viana
Rodrigo Viana
Ignácio, o imortal
15/03/2019
Marcelo  Bonholi
Marcelo Bonholi
A matemática do medo
30/04/2020