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LGBT x HIV

"De início, vamos reafirmar: hétero também pega HIV. E cada vez mais. "
Postado em: 05/09/2017 às 14:47
Autor: Paulo Tetti
LGBT x HIV

A Aids é uma doença terrível e ninguém – nem grupo nenhum – gosta de estar associado a ela. Numa sociedade que enxerga o sexo de maneira tão negativa quanto a nossa, uma doença sexualmente transmissível mortal tornou-se a confirmação de que os “devassos estavam sendo punidos”.

Muita coisa mudou nesses 30 anos desde que a epidemia do HIV começou, mas essa associação entre “comportamentos sexuais errados” e castigo continua presente.

Um post publicado certa vez e cujo título é os  “6 clichês gays que são a mais pura verdade” gerou muitas críticas, vindas aparentemente de quem acha que a única maneira de se combater estereótipos é negar sua existência totalmente. Em especial, o último clichê da lista, “Aids é doença de gay”, causou muito desagrado. Esse texto é uma tradução, mas não estaria nesse blog se eu não concordasse com sua argumentação.

É compreensível que, devido às conotações negativas já citadas e ao uso “inocente” e calhorda que muitos fazem da Aids para destilar sua homofobia, os gays façam todo o possível para se dissociar do HIV. A escolha de palavras pode não ter sido a melhor. Quem sabe se em vez de afirmar que “Aids é doença de gay”, como estava no original, talvez o ideal tivesse sido dizer que “Aids faz parte da vida e da cultura gay”. Porque negar que o vírus (ainda) faz muito mais parte da vida dos homossexuais masculinos, travestis e mulheres trans não ajuda a reverter esse quadro.

De início, vamos reafirmar: hétero também pega HIV. E cada vez mais. Quando afirmamos que o HIV afeta muito mais a população LGBT, não estamos dizendo que a transmissão ocorre apenas no sexo entre gays, travestis e trans.

Ou seja, 67,5% das novas infecções reportadas em 2012 foi de heterossexuais, sendo que 58,2% delas era de mulheres. Isso, no entanto, não quer dizer que a maioria dos soropositivos hoje em dia seja heterossexual –  essas são novas infecções. Vamos concordar que, se isso é notícia em 2014, certamente a situação era a inversa nas três décadas antecedentes.

Ao contrário do que pessoas mal-intencionadas tentam vender, a culpa disso não é de uma suposta maior promiscuidade dos gays – os homens héteros são tão promíscuos quanto os homens homossexuais. A maior prova disso é que em países da África subsaariana, onde a epidemia é um problema muito mais grave do que no Brasil, há 25 milhões de infectados, ou 4,5% da população total – chegando a extremos de 26.5% da população da Suazilândia, 23% da população de Botsuana, e 17,5% da população da África do Sul. A causa para que a epidemia ainda se concentre na população HSH (homens que fazem sexo com homens) no Brasil é biológica.

Tornar-se soropositivo não é legal, nem é “de boa”. Tenho certeza que a maioria dos soropositivos preferiria nunca ter sido infectada. Há problemas físicos (cada vez menores), mas, visto que terão que conviver com o HIV pelo resto da vida, de nada ajuda jogar por cima uma camada de culpa, vergonha e segregação social. Quem é soropositivo hoje vai ter uma vida tão longa, produtiva e feliz quanto um soronegativo, desde que se trate. Podem fazer planos e amarem como qualquer outro ser humano, desde que administrem o vírus em suas vidas. Quem é soronegativo deve educar-se, livrar-se dos preconceitos relacionados ao HIV e dar ao status sorológico de alguém a mesma importância que a diabetes, colesterol alto ou intolerância a glúten.

Por fim, as perguntas mais incômodas, porém necessárias: em seu círculo de amigos gays, quantos deles têm HIV? Quantos amigos contraíram o vírus ultimamente? Quantos amigos seus já namoraram um soropositivo? Quantos soropositivos você já namorou? E com quantos você já transou, sabendo ou não? Agora faça essas mesmas perguntas em relação aos seus amigos heterossexuais.

Pense nisso, e sempre use caminha.

Dica: Temos em nossa cidade o Programa de DST/AIDS, que promove o teste rápido. Em 15 minutos você fica sabendo o resultado e é totalmente sigiloso.

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