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Luis Arrieta e Luis Ferron se apresentam em Araraquara

Espetáculo “Os Corvos” será apresentado nesta quinta-feira (7)
Postado em: 06/06/2018 às 08:03
Autor: Redação
Luis Arrieta e Luis Ferron se apresentam em Araraquara
Foto: Clarissa Lambert

Dois grandes nomes da dança contemporânea estarão juntos no palco do Sesc. Luis Arrieta e Luis Ferron apresentam o espetáculo de dança “Os Corvos” na próxima quinta-feira (7), às 20 horas, no Teatro do Sesc Araraquara. A peça estreou em 2017 no Sesc Pompeia e agora chega também à cidade. Os ingressos estão è venda no Portal do Sesc e nas bilheterias da unidade, e variam entre R$5 e R$17. Os corvos - pássaros necrófagos - são normalmente associados ao mau agouro, mensageiros da morte. O espetáculo traz para cena uma reflexão sobre o presente como sentido vital e a morte como certeza final.  

Pela sua cor negra, os corvos são associados às ideias de princípio (noite materna, trevas primigênias, terra fecundante), pelo seu caráter aéreo, ao céu, ao poder criador e demiurgo, às forças espirituais. Pelo seu voo, ao mensageiro. Por tudo isto, em muitos povos primitivos, o corvo aparece investido de extraordinária significação cósmica, civilizador e criador do mundo visível. (Juan-Eduardo Cirlot, Dicionário de Símbolos). Para o xamanismo, a magia do corvo é poderosa, e pode infundir a coragem necessária para penetrar nas trevas do vazio. O vazio é denominado o grande mistério e, nessa crença, o corvo é considerado o mensageiro do vazio, capaz de transitar nos dois mundos: o dos homens e mulheres e o do grande mistério.

“Foi assim que percebi meus pais em seus percursos de envelhecimento, doença e morte: como corvos ou pessoas que presenciam o grande mistério a partir de um corpo anunciando o fim iminente. Deparar-me com a morte era algo ainda distante. Nesse contexto de novos sentidos, percebi que é necessário ao homem avizinhar-se dela para experienciá-la, pois a morte em si é um outro, uma alteridade enigmática que nos transforma em crianças no escuro.  Em Os Corvos, foi construído um território de encontros. Encontro com memórias, com meus pais, comigo e, sobretudo, com Luis Arrieta – esse grande artista que, desde os anos oitenta, quando iniciei minha carreira artística, continua me ensinando sobre os requintes do dançar e coreografar. Um encontro feliz, pois Arrieta foi uma referência importante para meus estudos coreográficos, e trabalhar com ele é um presente para o meu presente. Um encontro regado a generosidade, que o torna ainda mais digno do meu respeito, admiração e amizade. Portanto, é também parte da minha história e do que sou hoje”, afirma Ferron.

Para Arrieta, a vida não tem contrário. A vida é una, eterna, infinita. Nela surfam nascimentos e mortes. Estes são contrários e mesmos. Nossa condição humana não nos permite a sua visão simultânea. Por isso percebemos apenas um, e outro intuímos. Esse umbral, essa porta, essa ponte, essa passagem tem sido minha fascinação e meu horror desde que me lembro de mim, mínimo e desproporcionado, na construção do mundo dos adultos. E é justamente desde esses jogos solitários por pontes e portas e umbrais que começam a se formar minhas primeiras imagens de mim mesmo. Sempre a mesma aterradora vertigem na borda do precipício. O mesmo vazio a se desprender do sexo e a atravessar o estômago e arrebentar o peito e a garganta e voar como pássaro suicida para os braços de outro nascimento. Amo esse lugar com todos os meus medos. Espero esse momento, ou melhor, espero reconhecer esse momento, porque ele já existe, com a mesma ilusão e coragem que me impelia nos jogos de criança. Acompanhei a morte dos meus pais à distância, atravessando espaços de símbolos e intuições. Ferron lidou, na sua vez e ao lado, com o que chamamos realidade do tempo e do espaço. Ele precisou realizar esse caminho por terras aladas. Eu, me descalçar e amassar com os pés o barro do presente. Espelhados pelo mesmo nome, trouxemos para este encontro o peso da carga necessária ao outro, para nos equilibrar e encorajar nesta experiência de inexorável solidão. E assim, com a fé cega em nossa ignorância, que é o anjo provocador na nossa infância, decidimos rabiscar sobre esse instante fecundo na tela sempre madre do palco.

 

Sobre Luis Ferron

Artista da dança cênica paulistana desde 1983, mantém sua linha de pesquisa focada em abordagens e técnicas direcionadas para as singularidades culturais e corporais como mote para as suas criações. Sua carreira tem sido marcada pela experiência com diversos professores e variações técnicas voltadas para a criação cênica, como também por parcerias ocorridas com outros artistas ao longo da sua trajetória. Dançou com Joyce & Lennie Dale Cia. de Dança (Direcão JOYCE KERMAN e LENNIE DALE), Cia. Jazz Brazil (MAISA TEMPESTA), Grupo Raça (ROSELY RODRIGUES), Cia. Terceira Dança (GISELA ROCHA), Núcleo Nova Dança de Improvisação, atual Cia. 4 (CRISTIANE PAOLI QUITO e TICA LEMOS), Núcleo Nova Dança de Composição (ADRIANA GRECHI), Núcleo Omstrab (FERNANDO LEE), entre outros. Atualmente, além de parcerias com outros artistas, é diretor do Núcleo Luis Ferron, que se define como uma plataforma para as suas criações.

 

Sobre Luis Arreta

Natural de Buenos Aires, Argentina, inicia seus estudos de dança na Escuela del Ballet Contemporáneo de la Ciudad de Buenos Aires, e de cenografia na Universidad de El Salvador, em 1972. Em mais de 150 criações coreográficas, tem trabalhado com temas e gêneros musicais variados, junto a diversas companhias internacionais e as mais importantes do Brasil. Dançou com as companhias: Ballet de Joaquín Pérez Fernández (Buenos Aires), Escuela del Ballet Contemporâneo de la Ciudad de Buenos Aires, Ballet Stagium (São Paulo), Balé da Cidade de São Paulo, Associação de Ballet do Rio de Janeiro, Hessiches Sttadtheater (Wiesbaden/Alemanha), e como solista convidado em vários eventos no Brasil e no exterior.

 

Serviço

Espetáculo Os Corvos

Dia: 7/6, quinta-feira

Horário: 20h

Local: Teatro

Classificação: 12 anos

 

Ingressos limitados a 2 por pessoa:

R$ 5,00 (Credencial Plena);

R$ 8,50 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante);

R$ 17,00(Inteira / Credencial Atividades).

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