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Rosa Branca: Um araraquarense bicampeão mundial

Atleta falecido em 2008 conquistou façanhas memoráveis com a Seleção Brasileira de Basquete
Postado em: 21/05/2020 às 23:58
Autor: Carlos André de Souza
Rosa Branca: Um araraquarense bicampeão mundial
Rosa Branca é um dos maiores nomes do basquete brasileiro. Fotos: Arquivo pessoal

Palco de jogos memoráveis e eventos culturais inesquecíveis, a quadra do ginásio do Gigantão leva o nome de uma das maiores lendas do basquete brasileiro. E a melhor notícia é que essa lenda nasceu em Araraquara! A justa homenagem é direcionada a Carmo de Souza, o Rosa Branca, que teve uma infância humilde na Morada do Sol e soube seguir um caminho de muita luta para deixar seu nome escrito na história da modalidade.

A determinação dentro de quadra e o sorriso sempre estampado no rosto eram as marcas desse ícone do esporte, que colecionou conquistas com os clubes e com a Seleção Brasileira, entre elas dois títulos mundiais em 1959 e 1963. Se aposentou das quadras, mas não da luta pela evolução do basquete no país. Faleceu em 2008, porém deixou valores inestimáveis e se tornou um modelo de inspiração para os mais jovens que sonham em se tornar grandes campeões. 


O início

Carmo de Souza nasceu em 16 de julho de 1940 em Araraquara. Na infância já mostrava seu potencial para o esporte e na adolescência se destacou em provas de salto em altura e distância. Chegou a jogar futebol como zagueiro, porém a emoção proporcionada pelo basquete - na época ainda chamado de cestobol - o atraiu e foi amor à primeira vista. O primeiro contato com a modalidade aconteceu na escola, porém foi em 1953 que ele levou o esporte mais a sério, quando jogava no Departamento de Educação Física, onde hoje é situada a Escola Industrial.

Carmo, que chegou a trabalhar como engraxate, compareceu aos primeiros treinos descalço, pois não tinha condições de comprar um tênis. Seus treinadores fizeram uma 'vaquinha' e presentearam o garoto, que passou a ter mais condições de desenvolver seu potencial.

Sua estreia profissional aconteceu no Nosso Clube Araraquara, onde contou com a orientação dos técnicos e professores José Barbante Neto, José Tonello, Farid Frem e Júlio Mazzei. 


O apelido

Ainda em Araraquara, Carmo de Souza recebeu o apelido que levou para toda vida. Em 1954, ele chegou ao treino com uma revista 'O Cruzeiro' nas mãos. A capa continha uma foto de Gregório Fortunato, um famoso segurança que trabalhava como chefe da Guarda Presidencial do presidente Getúlio Vargas e que tinha o apelido de Rosa Branca por andar sempre com uma rosa branca na lapela do terno.

A semelhança física do jovem jogador com o personagem da capa da revista rapidamente chamou a atenção dos outros atletas, que o colocaram o mesmo apelido. No início, Carmo não gostou, porém levou a brincadeira 'na esportiva' e com o tempo passou até mesmo a ter orgulho do apelido.


Características do craque

A principal marca de Rosa Branca dentro de quadra era a versatilidade, já que atuava com muita qualidade em todas as posições, com suas especialidades sendo as de pivô e ala. Também se destacava nos arremessos de longa distância, embora naquela época ainda não havia sido implantada a cesta de três pontos, ou seja, as cestas de longe ainda valiam dois.


A saída de Araraquara

Seu talento chamou a atenção do São Carlos Clube, que na época possuia um time melhor estruturado na modalidade. Assim, o jogador de 1,89m se transferiu para a cidade vizinha no ano de 1956.

Lá, o araraquarense conquistou o título do Campeonato Paulista do Interior e foi vice-campeão paulista. Outra vitória conquistada no mesmo período foi sua formação em Educação Física na Escola Superior de Educação Física de São Carlos, hoje curso vinculado à UFSCar.

Em 1958, foi anunciado como reforço do time do Palmeiras, onde brilhou ao lado de um elenco vitorioso que foi campeão estadual em 1961 e 1963. No Verdão, conseguiu mostrar toda sua eficiência, além de ser considerado um dos atletas mais animados do grupo, característica atríbuída ao seu jeito sempre sorridente e brincalhão. 

Chegou a ser convidado para jogar no Harllen Globbetrotters, time norte-americano de exibição, porém o acerto não se concretizou. Rumores dão conta de que o Palmeiras, clube com o qual tinha vínculo contratual, não o liberou.

Em 1964, após o elenco do Palmeiras passar por um desmanche, o jogador Paulista, seu colega de time, o convidou para ir com ele ao Vasco, porém não conseguiu convencer o araraquarense, que acertou sua transferência para o rival Corinthians, que era seu time de coração. Com a camisa alvinegra, Rosa Branca faturou cinco títulos estaduais e três da Taça Brasil, competição que viria a se tornar o Campeonato Brasileiro, além de inúmeros torneios nacionais e internacionais. Em 1965, ele foi um dos destaques do Corinthians em um lendário amistoso contra o Real Madrid, que terminou com o placar de 118 a 109 para o time alvinegro.

As conquistas de títulos só cessaram em 1971, quando ele decidiu encerrar sua carreira.


Seleção Brasileira

Quando ainda defendia o Palmeiras, seu desempenho o levou à Seleção Brasileira. Desde então, representou o selecionado do país durante 12 anos, período em que disputou 78 jogos e marcou 539 pontos. Foi um dos cinco atletas que participaram das duas conquistas da Copa do Mundo de Basquete pelo Brasil (em Santiago do Chile em 1959 e no Rio de Janeiro em 1963).

Faturou ainda duas medalhas de bronze em Olimpíadas (Roma em 1960 e Tóquio em 1964), além do bronze nos Jogos Pan-Americanos de 1955 (Cidade do México) e a prata no Pan de 1963 (São Paulo). Foi também quatro vezes campeão sul-americano (1958, 1960, 1961 e 1968).


A vida além da quadra

Após encerrar a carreira, Rosa Branca não se afastou do esporte. Seguiu defendendo o fortalecimento do basquete e continuou atuando na modalidade como professor e assistente técnico.

Também foi diretor da Federação Paulista de Basketball e trabalhou desde 1975 como técnico da programação esportiva no Sesc Consolação, em São Paulo, onde se aposentou em 2003. 


Homenagens

Rosa Branca foi homenageado por inúmeras vezes pelos times que defendeu, pelas cidades em que atuou e também em ocasiões onde foram lembrados os grandes nomes do basquete brasileiro. Uma delas foi a Medalha do Mérito Cívico D. Pedro I, no grau de Comendador, atribuída pela Academia Brasileira de Cultura, Arte e História.

Em Araraquara, ele recebeu o Título de Cidadão Benemérito em 1999, honraria concedida pela Câmara Municipal. Ele também recebeu um cartão de prata da Uniara, que o homenageou no coquetel de apresentação do elenco que viria a brilhar no basquete brasileiro.

No mesmo ano, Araraquara sediou os Jogos Abertos do Interior e convidou Rosa Branca a participar da abertura da competição, onde conduziu a tocha olímpica até a pira localizada no gramado do Estádio da Fonte Luminosa, onde foi aplaudido por aproximadamente 10 mil pessoas. 


O adeus de uma lenda

No dia 22 de dezembro de 2008, o esporte brasileiro se despediu de Carmo de Souza, que faleceu em decorrência de complicações de uma pneumonia, que ocasionaram uma parada cardíaca. Morreu no Hospital Metropolitano, em São Paulo, e foi sepultado no Cemitério da Lapa, zona oeste da capital paulista. 


Eternizado no Gigantão

Em julho de 2013, Araraquara reinaugurava o Ginásio do Gigantão, que passou por uma reforma total após três anos em que ficou parado por causa do desabamento de uma das abas de sustentação. Com o local reformulado, a quadra foi batizada com o nome de Carmo de Souza, o Rosa Branca.

Na festa de reinauguração, que contou com uma grande presença do público, o então prefeito Marcelo Barbieri promoveu uma homenagem a Odete Santana Souza, viúva do campeão, que estava acompanhada dos filhos Samanta, Samara e Saulo.

Assim, com o nome marcado na história do esporte, Rosa Branca seguirá inspirando para sempre novos talentos brasileiros a seguirem seus passos e darem sempre seu melhor para levarem o nome do país ao topo do mundo. 


PRINCIPAIS TÍTULOS DE ROSA BRANCA

Com a Seleção Brasileira:

– Campeonato Mundial
. Campeão-Chile – 1959 – 10pts/5 jogos
. Campeão-Brasil 1963 – 65pts/6 jogos
. Vice-campeão-Iugoslávia – 1970 – 13pts/8 jogos

– Olimpíadas
. Medalha de bronze em Roma-Itália – 1960 – 38pts/8 jogos
. Medalha de bronze em Tóquio-Japão – 1964 – 51pts/8 jogos
. 4º lugar na Cidade do México-México – 1968 – 57pts/9 jogos

– Jogos Pan-Americanos
. Medalha de bronze em Chicago-EUA – 1959 – 45pts/6 jogos
. Medalha de prata em São Paulo-Brasil – 1963 – 52pts/6 jogos

– Campeonato Sul-Americano. Campeão-Chile – 1958 – 7pts/2 jogos
. Campeão-Argentina – 1960 – 56pts/6 jogos
. Campeão-Brasil – 1961 – 72pts/7 jogos
. Campeão-Paraguai – 1968 – 73pts/7 jogos


Com os clubes:

Campeão paulista do interior - São Carlos Clube (1956)
Campeão paulista - Palmeiras (1961 e 1963)
Tricampeão brasileiro - Corinthians (1965, 1966 e 1969)

 

Confira abaixo fotos da vida e carreira de Carmo de Souza, o Rosa Branca.
 

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