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Roseli: Uma araraquarense que conquistou o mundo

Confira a história da atleta que integrou a geração mais vitoriosa do basquete brasileiro
Postado em: 02/06/2020 às 02:43
Autor: Carlos André de Souza
Roseli: Uma araraquarense que conquistou o mundo
Roseli Gustavo tem uma história repleta de conquistas e momentos de muita emoção. Fotos: Arquivo pessoal

Poucas jogadoras brasileiras de basquete alcançaram façanhas tão expressivas dentro da modalidade como a araraquarense Roseli Gustavo. Entre as conquistas de peso em seu currículo, podemos destacar o Mundial com a Seleção Brasileira em 1994 na Austrália, onde a geração mais vitoriosa do Brasil venceu a China na final, após passar pelos Estados Unidos na semi. 

E não foi apenas uma vez que Roseli atingiu o topo do mundo em sua modalidade. Nos anos de 1993 e 1994, ela ajudou a Ponte Preta a conquistar o bicampeonato no Mundial de Clubes. Na equipe campineira, ela formava um esquadrão ao lado de Hortência, Paula e outras atletas que faziam com que aquele time fosse quase imbatível na época. 

Com uma significativa coleção de títulos e medalhas - inclusive uma prata olímpica -, Roseli inspirou uma geração de talentos que surgiram dentro de sua própria família, já que ela é tia do armador Nezinho e das irmãs Karen e Silvia, todos com passagens pela Seleção Brasileira. 

Graças ao basquete, a araraquarense conheceu e morou em vários países. Teve oportunidades de trabalhar em vários locais e continuou recebendo propostas mesmo após sua aposentadoria, porém o coração falou mais alto e desde 2005 ela reside em sua cidade natal, onde concluiu seus estudos e hoje atua como coordenadora de Esportes da Prefeitura. 

Hoje, Roseli relembra com carinho dos momentos emocionantes de sua trajetória e trabalha para retribuir ao esporte tudo o que ele proporcionou em sua vida. Em entrevista ao Portal Morada, ela falou sobre suas emoções e desafios. Confira!


O início

Roseli do Carmo Gustavo nasceu em Araraquara no dia 25 de julho de 1971. É filha de Manuel Gustavo, maquinista da Fepasa falecido em 2008, e Benedita Maria Domingos Gustavo, dona de casa falecida em 2000. Seus pais lhe deram seis irmãs: Sônia Maria, Maria Elisa (in memorian), Cristina, Ivone, Rosana e Rosimeire.

"Cresci na Vila Melhado, bairro pelo qual eu tenho muito carinho e tenho amigos até hoje. Meu primeiro contato com o basquete foi no Ginásio da Pista com o técnico e professor Onofre Held", relembra Roseli. 

Quando criança, Roseli acompanhava sua irmã Ivone, que treinava basquete no Ginásio da Pista. Se interessou pela modalidade e passou a treinar na mesma equipe. O talento começou a gerar frutos logo cedo, já que com apenas 12 anos de idade ela já integrava o time adulto. 

O fato de recordar com carinho de seu treinador não é por acaso. "O Onofre marcou o início da minha trajetória. Às vezes eu ia do bairro do Melhado até o Ginásio da Pista a pé. Muitas vezes o Onofre ia me buscar em casa de moto para que eu pudesse treinar, porque às vezes eu não tinha dinheiro para ir treinar", revela Roseli.


Sonho realizado

Com o talento lapidado em Araraquara, Roseli foi descoberta pelo time de maior expressão da época, o Unimep Piracicaba, que contava com jogadoras que já se destacavam pela Seleção Brasileira como Paula, Nádia e Ruth. Chegou como convidada e não precisou fazer teste.

Ela se recorda da primeira vez que entrou em quadra por aquele time. "A sensação da estreia foi de muito nervosismo porque eu estava vivendo um sonho de jogar na melhor equipe do Brasil. Eu fiquei muito nervosa, o que é natural, pois era uma menina de 14 anos, mas foi realmente um sonho. Eu via a Paula e a Nádia jogando, eu assistia elas pela televisão, e quando cheguei em Piracicaba já comecei a treinar junto com elas. Então passou do virtual para a realidade", recorda.


Seleção Brasileira

Roseli era caracterizada por ser uma jogadora de defesa muito forte, por isso seus treinadores sempre a colocavam para marcar as adversárias com maior potencial de ataque, adversárias essas que na maioria das vezes acabavam praticamente anuladas. Sua qualidade fez com que fosse convocada pela primeira vez pela Seleção Brasileira com apenas 16 anos de idade. A partir daí foi uma história de dez anos de sucesso representando o Brasil. "Foi uma passagem marcante e extremamente vitoriosa", resume ela. 

Em 1991, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Cuba, onde o proprio Fidel Castro entregou as medalhas para as brasileiras, em uma cena que marcou o esporte brasileiro. Em 1994, Roseli ajudou a Seleção a sagrar-se campeã mundial na Austrália, em mais um momento lendário da modalidade. Em 1996, o time bateu na trave nas Olimpíadas de Atlanta, mas fez história ao voltar para casa com a medalha de prata.  

Essas e outras conquistas fazem dela um dos nomes mais importantes do basquete feminino brasileiro. "Para mim foi um privilégio fazer parte dessa geração de ouro, uma geração muito dedicada e muito talentosa, que juntou três gerações e conquistou os principais títulos da Seleção. Foi uma honra ter conseguido jogar com essa Seleção", se orgulha a araraquarense.


Sucesso nos clubes

Não foi apenas na Seleção Brasileira que Roseli comemorou título mundial. Ela conquistou essa façanha duas vezes pela Associação Atlética Ponte Preta em 1993 e 1994. Também possui no currículo um tetracampeonato sul-americano e inúmeros títulos de expressão no esporte.

Além de Unimep Piracicaba e Ponte Preta de Campinas, Roseli vestiu também as camisas do BCN Piracicaba, BCN Osasco, Bradesco Osasco, ADC Guarulhos, Unimed Americana, Araçatuba, Ulbra Canoas, além de equipes de Portugal, Espanha e Suécia.

Quando percebeu que estava chegando a hora de se despedir das quadras, a jogadora começou a se preparar para o momento. "Eu queria muito fazer faculdade, pois sempre gostei de estudar. Como ficava muito tempo viajando com a Seleção e com os clubes, não conseguia fazer faculdade. Em 2005 voltei para Araraquara, onde o então prefeito Edinho montou uma equipe de basquete na cidade para que eu pudesse retornar. Era um desejo e um sonho meu de voltar à minha cidade para encerrar a carreira onde eu iniciei e também para concluir meus estudos. Então, como fui me preparando para parar de jogar, foi uma transição bem tranquila e não teve muitos impactos", conta ela, que mesmo depois de encerrar a carreira, recebeu diversos convites, vários deles de clubes do exterior. Como já estava fazendo faculdade em Araraquara, manteve sua decisão.


Seguiu no esporte

Assim, Roseli se despediu do cenário profissional de basquete, porém seguiu atuante no esporte. Disputou campeonatos brasileiros master e participou de um Sul-Americano Master no Peru. Ao mesmo tempo, cursou Educação Física e conseguiu um estágio no Sesi Araraquara com o professor Gilberto Paganini Marin, o Gil, famoso por revelar talentos do basquete da cidade.

"Comecei a fazer estágio com ele, segui como estagiária por um tempo e aprendi muito com o professor Gil. Fui técnica de base e assistente técnica do time adulto feminino de Araraquara. Montamos o Projeto Social Roseli de Basquete, um projeto voltado só para meninas. Nesse projeto passaram mais de 300 meninas, pois tínhamos polos espalhados pela periferia de Araraquara, e depois montamos o Instituto Roseli Gustavo", detalha a campeã, que também teve participação fundamental na implantação do time adulto do Sesi Araraquara, que atualmente integra a LBF, elite do basquete feminino brasileiro. 


Basquete no sangue

O sucesso de Roseli inspirou as crianças de sua família, que viam nela um exemplo no esporte. E foi assim que surgiram talentos que integraram a Seleção Brasileira, como os sobrinhos Nezinho, Karen e Sílvia. 

Ela se mostra feliz com essa inspiração e assegura que vêm mais atletas por aí. "É uma alegria ter inspirado meus sobrinhos a praticarem esporte. É um legado que deixei que não tem preço. Me emociono de vê-los jogando hoje e está vindo uma geração nova de sobrinhos-netos que estão no mesmo caminho. O esporte faz parte da nossa família de forma natural, respiramos esporte. As crianças nascem e naturalmente já vão querendo praticar esportes. No ínício meus sobrinhos eram mais voltados ao basquete e agora são mais para futebol, vôlei, mas o importante é que todos estão seguindo o caminho do esporte", analisa.  


Tocha Olímpica

Em 2016, o Rio de Janeiro sediou as Olimpíadas e Araraquara foi uma das cidades escolhidas para receber a passagem da Tocha Olímpica. Entre as personalidades eleitas para conduzir o simbólico objeto estava Roseli, que comemorou a escolha como um título.

Ela revela que esse foi o momento mais emocionante que viveu desde que deixou as quadras. "Depois que parei de jogar, foi a melhor e mais gratificante homenagem e emoção que senti. Foi muito bom andar com a Tocha Olímpica pelas ruas da cidade, ver as pessoas gritando meu nome, pedindo autógrafo, pedindo para tirar fotos. A cidade se mobilizou e parou para a passagem da Tocha. Foi uma emoção muito grande, uma alegria muito grande poder fazer parte desse evento, que é um evento olímpico. Então, depois que recebi as medalhas de vice-campeã olímpica, campeã mundial e campeã pan-americana, eu não tinha sentido uma emoção tão grande assim", destaca. 

Para ela, a homenagem foi motivo de muito orgulho. "Foram dias de ansiedade antes de acontecer o evento e depois que aconteceu eu fiquei uns dias sem dormir, relembrando tudo. Mas tudo o que acontece de homenagem aqui dentro de Araraquara, para mim é muito significante porque é a cidade que eu nasci, é a cidade que eu escolhi para voltar e morar. É a cidade onde minha família mora, onde construí meus projetos, onde me formei e onde eu trabalho hoje. Todas as homenagens de Araraquara foram especiais", acrescenta a ex-jogadora, que em 2018 foi homenageada com o Diploma de Honra ao Mérito da Câmara Municipal.


Encontro de campeãs

Em junho do ano passado, o Gigantão foi palco do Jogo das Estrelas da Liga de Basquete Feminino (LBF), que é considerada a maior festa do basquetebol feminino nacional. A edição realizada em Araraquara homenageou os 25 anos da conquista do Mundial de 1994 pela Seleção Brasileira e contou com a participação de campeãs Ruth, Adriana, Helen, Leila, Simone, Paula e da própria Roseli, que foi a responsável por trazer a comemoração para a cidade. 

"Foi um evento que eu fiquei muito feliz de ter conseguido realizar aqui, pois consegui fazer com que minhas ex-companheiras viessem para cá. Foi um momento muito legal por elas estarem aqui na cidade. Passamos o dia todo juntas, pudemos jantar juntas, relembrar os momentos que passamos de treinamento, então foi uma alegria muito grande poder receber a Seleção aqui", ressaltou. 


Gestão esportiva

Desde 2016, Roseli é coordenadora da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de Araraquara. Frequentemente, em suas entrevistas, o prefeito Edinho Silva faz questão de opinar que ela é a maior atleta da história da cidade.

Assim, ela retribui a confiança e o carinho com muito trabalho. "Essa é uma função que tem me trazido muita alegria. É uma coisa que amo fazer. O esporte faz parte da minha vida, então trabalhar na Secretaria é uma grande alegria e um grande prazer. Gestão esportiva é algo que gosto muito e estou estudando para me aprofundar mais ainda. Está sendo muito gratificante poder ajudar o esporte, agora do lado de fora das quatro linhas. Espero retornar para o esporte tudo o que o esporte me deu", salienta. 


Presente

A trajetória vitoriosa da araraquarense ultrapassa as fronteiras do esporte e chega ao âmbito familiar. Casada há 30 anos com o ex-jogador de futebol Mauro Sérgio da Silva, Roseli tem um filho, Felipe, que lhe deu um neto, Landon. Felipe, aliás, chegou a atuar pelo time de basquete da ABA/Fundesport de Araraquara, mas não seguiu no esporte.

Em tempos de isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus, Roseli aproveita para se divertir das maneiras possíveis e também começa a se adaptar a uma nova prática esportiva.

"Eu gosto muito de ler, mas não tinha muito tempo com a correria. Então durante esse isolamento eu estou lendo bastante, colocando minhas leituras em dia, assistindo bastante filmes, séries, Netflix, que eu gosto bastante. Estou começando agora um hobbie que é andar de bike, com mais cautela por causa desse isolamento. Além de ser uma atividade física para não ficar sedentária, é uma coisa que me traz alegria, novos amigos, relaxa. Você conhece novos caminhos, vai para Bueno, represas, então é uma coisa que tenho gostado muito", completa. 


I love this game

Perguntada sobre o que o basquete significa em sua vida, Roseli cita a frase 'I love this game', que é o slogan da NBA, liga norte-americana de basquete que reúne os maiores astros do mundo.  

"O basquete me deu oportunidades de estudar, de viajar pelo mundo, fazer novos amigos, conhecer novas culturas e culturas diferentes. O basquete transformou minha vida e da minha família também. Eu tenho muita gratidão pelo basquete. 'I love this game' é uma coisa que é verdade. Eu amo esse jogo", finaliza a campeã.   

 

Confira abaixo algumas fotos de Roseli Gustavo.

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