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Esporte
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Eduardo Zambone: O alicerce do vôlei feminino

Técnico araraquarense tem sua trajetória marcada por títulos, revelação de talentos e luta pela modalidade
Postado em: 25/06/2020 às 01:15
Autor: Carlos André de Souza
Eduardo Zambone: O alicerce do vôlei feminino
Eduardo Zambone é um dos pilares de sustentação do vôlei feminino araraquarense. Fotos: Jonas Bezerra e Arquivo Pessoal

Ao todo são 27 anos dedicados à educação física e, mais precisamente, ao voleibol. E a luta dentro do vôlei faz de Eduardo Zambone um dos nomes mais importantes da modalidade em Araraquara. Marcado por descobrir e lapidar talentos, ele trabalha atualmente como técnico das equipes femininas do Projeto Vôlei+, que representa a cidade nas competições pelo estado de São Paulo.

O projeto foi iniciado em 2014 e durante seu caminho passou por diversas turbulências, mas a dedicação do treinador sempre assegurou que a iniciativa caminhasse dentro dos trilhos. Hoje, o Vôlei+ vem colhendo os frutos, não apenas com grandes conquistas para a cidade, mas com diversas atletas reveladas para o esporte.

Em entrevista ao Portal Morada, o professor e técnico de 48 anos falou sobre sua história, emoções e planos. Confira!


O início

Eduardo Luís de Carvalho Zambone nasceu no dia 4 de outubro de 1971 em Araraquara. É filho de Creusa de Carvalho Zambone e Oswaldo Zambone, ambos falecidos. É irmão de Débora Cristina, Paulo Henrique e Marcos Roberto (que foi presidente do Sismar, falecido em 2018).

Eduardo cresceu na região central da cidade, próximo da Praça Pedro de Toledo, e passou a adolescência no bairro Santana. O esporte entrou em sua vida por meio de professores consagrados na cidade. "Meu primeiro contato com o vôlei foi em 1982, através do professor Urias Braga Costa, para jogar os Jogos Escolares e os Jogos da Primavera. Nesta época já praticava judô com o mestre Candoca e natação com o professor Antônio Carlos Orselli", conta.


Identificação com o esporte

O garoto estudou o primeiro grau na Escola Estadual Antônio Joaquim de Carvalho e o segundo grau no Colégio Duque de Caxias. Desde criança já era forte sua identificação com a prática que se tornaria sua profissão. "A disciplina de educação física era a aula que mais estimulava na minha educação, tanto que depois das minhas aulas, eu ainda ficava nas outras turmas para completar as equipes. Tive uma infância muito boa: além de praticar esportes, participava de outras brincadeiras como soltar pipa, carrinho de rolemã e, principalmente, jogar bola na rua. Daí foi gostando do esporte", relembra.

Eduardo começou a trabalhar com 16 anos de idade, como ‘contínuo’ no Banco Bandeirantes, onde trabalhou por três anos. "Depois trabalhei como técnico de contabilidade na empresa Leão Engenharia e, depois de um ano, no final de 1991, entrei na Prefeitura na área de saúde. Em 1993, fui para o esporte, onde estou até hoje. Fui monitor, professor de escolinhas e hoje sou técnico do vôlei feminino da cidade", explica.

Chegou o dia em que o jovem teve de escolher o caminho profissional que iria seguir. "Na adolescência eu sempre tive vontade de fazer medicina veterinária, mas como participava desde criança no judô, natação e voleibol, o gosto e o amor ao esporte foi me cativando e falando mais alto na minha consciência, em fazer uma faculdade de educação física", relata ele, que ouviu o chamado de seu coração e estudou educação física na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).


Atraído pelo voleibol

Eduardo Zamboni revela que foi atraído pelo vôlei ainda na infância. "Foi participando dos Jogos Escolares e da Primavera, em 1982. Eu acompanhava muito a Geração Prata do Brasil e assim foi me cativando a gostar muito desse esporte", conta.

O amor pela modalidade se tornou sua profissão em 1993, quando trabalhou como monitor das escolinhas de esportes da Prefeitura e realizou seu primeiro trabalho no vôlei. "Trabalhei em dois bairros, Cecap e Selmi Dei, até 1995. No ano seguinte, em 1996, assumi como técnico da base do vôlei masculino e assistente na base do feminino até 1999, quando em 2000 fui trabalhar somente na base do feminino de Araraquara. Em 2012 e 2013, trabalhei como técnico das equipes de Gavião Peixoto e Trabiju em Jogos Regionais e Jogos Abertos. Desde agosto de 2016 até o momento tenho essa grande responsabilidade e gratidão de ser técnico do vôlei feminino de Araraquara em todos os jogos oficiais", detalha o professor.

Por Gavião Peixoto, Eduardo foi campeão dos Jogos Regionais 2012 (Sub-21) e 4º lugar nos Jogos Abertos do Interior 2012 (2ª Divisão/Sub-21). Ele também treinou a equipe de Trabiju, onde foi vice-campeão dos Jogos Regionais da 2ª Divisão (2012) e 3º lugar nos Jogos Regionais (1ª Divisão) em 2013.


Projeto Vôlei+

Em 2014, Eduardo participou da criação de uma iniciativa que viria para fortalecer o vôlei de Araraquara, o Projeto Vôlei+. O professor de educação física comandava um time que disputava o Campeonato Paulista Sub-17 e viu que precisava de uma marca ou símbolo para a base da modalidade na cidade. "Naquele ano, eu o Jonas Bezerra, que fazia parte da nossa equipe, sugeriu esse nome de Associação Vôlei Mais (AVM). Em 2019, juntamente com o nosso auxiliar técnico Welton Franco, registramos e oficializamos nossa Associação Vôlei+ Araraquara", relembra.

Ao longo desses seis anos, sob o comando de Eduardo, a associação colecionou conquistas e foi tricampeã da Copa São Paulo (2014, 2015 e 2017), vice-campeã dos Jogos Abertos da Juventude (2015), vice-campeã dos Jogos Abertos do Interior 2019 (2ª Divisão/Sub-21), 3º lugar nos Jogos Abertos do Interior 2017 (1ª Divisão/Sub-21), bicampeã dos Jogos Regionais Sub-21 (2017 e 2018), 3º lugar na Copa São Paulo (2016), 3º lugar nos Jogos Infantis (2019), 4º lugar no Campeonato Paulista 2015 (Sub-19), 3º lugar no Campeonato Paulista 2014 (Série Prata/Sub-17), campeão do Interligas 2019 (Sub-16), vice-campeã Interligas 2019 (Adulto) e somou 14 títulos pela APV (Associação Pró-Voleibol) nas categorias Sub-16, Sub-18, Sub-20 e Adulto. 

O treinador analisa o momento atual do projeto. "Hoje podemos dizer que é a nossa marca no vôlei feminino de Araraquara, onde juntamente com a nossa Secretaria de Esportes, através da Fundesport, representamos a modalidade em competições oficiais. O fato de ter saído do papel, oficializado o nome, foi uma grande vitória. O auxiliar Welton foi o grande responsável por isso. Temos todo apoio da Fundesport na estrutura da equipe, desde treinamentos, alojamento, logística dos jogos, academia. Temos parcerias também de escolas particulares da cidade com concessão de bolsas de estudo, com faculdade no apoio de fisioterapia e nutrição e uma empresa de internet. Agora buscamos apoio de outras empresas para compromissos federativos", explica.


Emoção no esporte

O professor tenta citar os momentos mais memoráveis vividos no esporte. "É difícil falar qual foi o momento mais emocionante, pois muitos títulos e vitórias foram gratificantes, mas posso-lhe dizer que os dois títulos dos Jogos Regionais, onde tive a companhia do meu filho em todos os jogos e também no alojamento, vivendo o dia a dia da competição, foi o mais emocionante. Foram momentos que ele levará por toda vida", destaca.

Eduardo resume o que o esporte significa em sua vida. "Numa simples resposta, tudo, pois vivo e trabalho em prol do nosso vôlei feminino de Araraquara. Além de técnico também sou árbitro. Desenvolvo outro trabalho muito gratificante na Secretaria de Saúde em um projeto de atividade física com os idosos de nosso município", revela.


Vida atual

Fora da rotina esportiva, Eduardo é divorciado, mora com seu irmão e tem um filho chamado Carlos Eduardo Gomes Zambone, de 11 anos, que vem herdando do pai o amor pelo esporte.

O treinador analisa o isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus. "É uma nova rotina e uma adaptação ao novo momento. Está sendo triste, pois nós, técnicos, tivemos que suspender os treinos presenciais e aprender uma nova fórmula de continuar os treinos, de forma online. Não é a mesma coisa se tratando de equipe coletiva. Estou estudando e avaliando em geral todos os protocolos e informações que vão surgindo. Assim retornaremos à rotina mais precavidos. Estamos mantendo contato com as atletas e a nossa comissão técnica está passando exercícios e todas as informações. Tudo irá passar e iremos encontrar uma vacina. Pensamento positivo", salienta.

Para finalizar, Eduardo revela seus maiores sonhos no esporte. "Poderia listar muitos aqui, mas nunca fui de ficar sonhando. Mas cito um sonho em especial: que todos que passaram aqui como meu atleta tenham conquistado o sonho de jogar um voleibol de um nível competitivo e tenham sido felizes com o voleibol de Araraquara. Sabemos que podemos errar, mas que o seu total de acertos no voleibol tenha sido acima da média. Se isso tiver acontecido, já fico feliz e meu sonho realizado. Aprendi que respeito e gratidão se conquista pelo seu trabalho e fazendo acontecer os seus sonhos", conclui o professor.
    


Confira abaixo algumas fotos do técnico Eduardo Zambone.