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“Poderemos viver o mesmo que Manaus”, diz Edinho Silva

Situação do município diante do aumento de contaminações preocupa autoridades
Postado em: 19/02/2021 às 09:28
Autor: Adriana Nagazako
“Poderemos viver o mesmo que Manaus”, diz Edinho Silva

O prefeito de Araraquara, Edinho Silva, em entrevista concedida ao Jornal da Morada na manhã desta sexta-feira (19), relatou a grave situação que o município vive durante a pandemia.

Com recorde de amostras positivadas nos últimos dias, Edinho disse que, mesmo com todos os esforços, o número de pessoas doentes não diminuiu: “Abrimos novos leitos em caráter emergencial. Ontem 12 pessoas aguardavam internação. Hoje tem 6 pacientes esperando e não temos leitos para ofertar. O que tem ficar claro para a população é que esse número de hoje, 171 positivados, numa parte dessas pessoas a doença irá evoluir, isso é científico. E uma parte dessa evolução vai precisar de leitos de UTI e nós não temos. ”

Na quinta-feira (18), profissionais da Organização Mundial da Saúde e do Instituto Butantan estiveram com o Comitê de Contingência e com o prefeito. “Pudemos debater sobre a situação da cidade, curvas de contaminação e óbitos, e conseguimos encaminhar várias parcerias, entre essas, o Butantan vai auxiliar com vários programas de alta tecnologia, para que possamos monitorar a doença”, diz. Diante da cepa de Manaus, o prefeito Edinho acredita que é importante testar a eficiência da vacina, pois a nova cepa tem aumentado a contaminação em diversas regiões do estado. “O que nós apresentamos de proposta é que poderia sim ser feita uma experiência de vacinação em Araraquara. Precisamos da vacinação em massa.Eu havia tratado isso com o secretário estadual da saúde, Jean Gorinchteyn, e não depende apenas dele, mas sim do Ministério da Saúde.

Nesta sexta-feira, com 171 casos positivados, sendo 153 exames entregues pelos laboratórios da Unesp e 34 resultados da rede particular, o município registra 12.989 casos totais. Até ontem, 219 pessoas estavam internadas e 1230 cumpriam quarentena.

Profissionais da saúde que trabalharam em Manaus também conversaram com o prefeito e o comitê sobre os números do município. “A conclusão é uma só: ou nós mudamos a curva de contágio, ou poderemos viver a mesma situação que Manaus viveu”, afirma Edinho.

Diante da gravidade da situação enfrentada em Araraquara, Edinho relatou as dificuldades para ampliar o atendimento aos contaminados: “Nós estamos desesperados no mercado tentando ampliar a capacidade da usina de geração de oxigênio do Hospital de Campanha, para que a gente abra novos leitos. Estamos desesperados atrás de profissionais da saúde. Já contratamos 200 novos profissionais, precisamos de mais 52 e não achamos médicos no mercado de trabalho. Temos muitos profissionais afastados judicialmente pois são pessoas acima dos 60 anos. A situação é grave”.

Na primeira semana de endurecimento das regras da fase vermelha na cidade, o prefeito Edinho e o Comitê de Contingência estão sendo pressionados a flexibilizar o decreto, porém ele é categórico: “Estamos vivendo como se estivéssemos numa tempestade e o único farol que pode nos guiar é a ciência. Eu entendo a situação dos empresários. Quando a curva de contaminação cair, vamos voltar com as atividades econômicas, o prefeito é o mais interessado nisso. A arrecadação cai, são mais desempregados, é mais pressão na assistência social. Eu quero que a cidade volte à normalidade, que a economia cresça, mas não podemos ser irresponsáveis nesse momento”.

Os índices de isolamento social no município continuam baixos, em torno de 40%, o que preocupa as autoridades de saúde devido a alta transmissão: “Não estamos entendendo a gravidade da situação. Se o número de contaminados continuar crescendo, na semana que vem poderemos viver algo parecido com Manaus. Teremos que escolher quem será internado. Repito: é uma curva ascendente de contaminação, de pessoas que demandarão leitos hospitalares. Eu não quero que Araraquara viva o que Manaus viveu. Estou trabalhando como um desesperado e faço um apelo ao povo de Araraquara, para fazer o isolamento social.”, desabafa o prefeito, diante das perspectivas para a próxima semana, constatadas pela Organização Mundial da Saúde.

Com o colapso do sistema de saúde de Araraquara, leitos estão sendo improvisados no centro de estabilização do Melhado. Os médicos e especialistas afirmam que a curva de contaminação tem que diminuir para que o município não viva “uma tragédia”. O prefeito Edinho Silva concluiu dizendo que “é preciso que a população de Araraquara tenha consciência, pelo amor de Deus”.