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Gota de Leite utiliza banho de balde em prematuros como recurso fisioterapêutico

Objetivo da técnica é reproduzir o ambiente do útero materno para relaxar o recém-nascido
Postado em: 02/08/2019 às 16:25
Autor: Redação
Gota de Leite utiliza banho de balde em prematuros como recurso fisioterapêutico

Acalmar e facilitar a adaptação do recém-nascido ao novo ambiente, reproduzindo no banho as mesmas condições que ele tinha no útero da mãe. Estes são alguns dos benefícios do banho de balde, técnica que a Maternidade Gota de Leite - Fungota adotou em 2014 na sua UTI Neonatal, como um recurso fisioterapêutico no auxílio do tratamento de prematuros.

A iniciativa de implantar a técnica na maternidade foi da fisioterapeuta Elaine Pereira Raniero, há cinco anos, quando ela iniciou seu Doutorado no Departamento de Puericultura e Pediatria da Faculdade de Medicina na Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (USP), com o tema “Ensaio clínico sobre aplicação de hidroterapia em recém-nascido pré-termo”.

Segundo ela, o banho de balde pode ser indicado para recém-nascidos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) Neonatais. Muitas vezes, são bebês ainda em incubadora, sem capacidade de controle térmico, que estão há muito tempo internados e estressam com qualquer tipo de manipulação. Pode ser indicado para casos de prematuros que sofrem de episódios de apneia (se esquecem de respirar).

Acostumado com o útero materno, o recém-nascido tende a se sentir mais seguro no banho de balde, que reproduz um ambiente já familiar e aconchegante.

“A cada situação, nossa equipe se surpreende. Recentemente, uma bebê pós-cirúrgica cardíaca, que chamamos de ‘muito manipulada’ - devido a todos os procedimentos aos quais foi submetida -, precisava da estimulação da parte motora, mas estávamos com dificuldade. Quando demos banho no balde, foi surpreendente. Ela se mostrou segura e muito relaxada. E, depois do banho, ela estava tão tranquila que aceitou a estimulação. No outro dia,  as enfermeiras ainda disseram que ela havia dormido muito melhor”, relata Elaine. “Por já terem passado por cirurgia e terem sido muito tocadas por médicos e enfermeiras, estes bebês não reagem bem à estimulação, ao toque. Eles já ficam esperando a dor. Nestes casos, o banho de balde traz muitos benefícios. Tem alguns bebês que ficam tão tranquilos que até dormem durante o banho”, acrescenta ela.

Além de ajudar na adaptação extrauterina e relaxar o bebê, o banho de balde também pode auxiliar no funcionamento do intestino, reduzir as cólicas e facilitar o sono.

Em relação à frequência deste banho terapêutico, que na Gota é dado tanto na UTI como na UCI, a especialista diz que depende de cada caso. Alguns tomam banho de balde todos os dias, já outros, dependendo do tratamento a que são submetidos, os profissionais da Gota intercalam a técnica com o atendimento de estimulação motora comum.

E o banho de balde também é um momento de felicidade e alívio para as mães, que percebem o bem-estar do seu bebê. Foi o caso de Valdilania, mãe de Brendon Gabriel, que nasceu prematuro no último dia 15 de abril.

“Eu nunca tinha visto essa técnica; aprendi o banho de balde na Gota, depois que ele nasceu e teve que ficar na incubadora. Logo de cara, a gente fica um pouco receosa, mas depois, vendo a segurança das enfermeiras e a expressão de bem-estar do bebê, é também um alívio pra gente”, conta ele, que hoje está em casa com seu filho, saudável e cheio de energia.

E ela aproveitou o que aprendeu na maternidade para acalmá-lo também em casa, nos momentos de cólica. “Em casa, quando percebo que ele está agitado, com cólica, eu mesma dou banho de balde. E sempre resolve, dá uma aliviada logo que coloco no balde”, conta ela.

 

O primeiro banho de balde

A menina que “estreiou” a técnica do banho de balde na Gota de Leite tem hoje 5 anos e muita saúde. A luta pela sobrevivência travada pela pequena Valentina nos primeiros momentos de vida retrata bem o que passam os prematuros assistidos na Gota de Leite.

Ela nasceu com 27 semanas e 1.040 quilo, segundo o pai Marcos que, ao lado da esposa Vera Lúcia, permaneceu por 62 dias aguardando a recuperação da filha. Destes, Valentina ficou 40 dias na UTI Neonatal em estado muito crítico e outros 20 no quarto, ganhando peso, até seguir para casa com a família.

E foi neste período mais difícil que a bebê conheceu o recurso fisioterapêutico.

“Chegamos na maternidade e elas nos mostraram um vídeo da Valentina tomando banho no balde. Mesmo com a sonda, ela estava muito serena e calminha. Ficamos apaixonados. Aquele ambiente de útero materno fazia muito bem para a nossa bebezinha. Temos vídeos, fotos, registro de cada momento superado por ela”, recorda o pai. “Cada dia foi uma conquista e, por isso, agradecemos demais à equipe da Gota de Leite pela dedicação e pelo carinho. Eles tratam os bebês como filhos. Graças a Deus, nossa Valentina superou todos os problemas e hoje é a alegria da nossa vida. Nós fizemos questão de manter contato com o pessoal da maternidade; no primeiro aniversário da Valentina, estavam todas lá comemorando conosco e foi muito emocionante”, conclui Marcos.