Fidel Castro morre aos 90 anos

Ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, morreu aos 90 anos de idade

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Fidel Castro morre aos 90 anos

 

Morre ex-presidente de Cuba, Fidel Castro aos 90 anos de idade, informou seu irmão, Raúl Castro, em um discurso transmitido pela televisão estatal, neste sábado (26).

 

"Com profunda dor é que compareço para informar ao nosso povo, aos amigos da nossa América e do mundo que hoje, 25 de novembro do 2016, às 22h29 (horário local), faleceu o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz", disse Raúl Castro, visivelmente emocionado.

O presidente cubano disse que o corpo do líder histórico da Revolução será cremado, segundo sua "vontade expressa", e que nas próximas horas divulgará detalhes.

No último dia 15, em uma de suas ultimas aparições em um ato público, Fidel recebeu em sua residência o presidente do Vietnã.

Fidel apresentou um semblante frágil, vestido com um moletom branco e acompanhado pelo seu irmão Raúl e o presidente da Venezuela. Durante o XVII Congresso do Partido Comunista de Cuba, Fidel Castro fez um discurso que soou como uma despedida, onde reafirmou a força das ideias dos comunistas.

"A hora de todo mundo vai chegar, mas ficarão as ideias dos comunistas cubanos, como prova que neste planeta se trabalha com fervor e dignidade, é possível produzir os bens materiais e culturais que os seres humanos necessitam, e devemos lutar sem descanso para isso", afirmou Fidel Castro na ocasião.

 

Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu no vilarejo cubano de Birán, localizado na província de Holguin, no dia 13 de agosto de 1926. Filho bastardo de seu pai, Ángel Castro y Argiz, rico fazendeiro, com sua amante (e segunda esposa) Lina Ruz González.

 

Em 1932, Fidel é enviado à Santiago de Cuba para estudar no colégio La Salle e, posteriormente, na escola jesuíta Dolores. No ano de 1945, vai estudar no Colégio de Belén, em Havana, no mesmo ano em que ingressa no curso de Direito na Universidade de Havana, onde irá se doutorar em 1950.

 

Nesse ínterim, passou a se envolver com o ativismo estudantil, quando entrou para o Partido Socialista do Povo Cubano (1947). Em termos práticos, sua militância envolvia a publicação do periódico mimeografado El Acusador, do qual foi co-editor.

 

Com sua primeira esposa, Mirta Díaz Balart, Fidel Castro tem um filho chamado Fidel “Fidelito”. Mirta e Fidel divorciaram-se em 1955. Com sua segunda esposa, Dalia Soto del Valle, terá os filhos Alexis, Alexander, Alejandro, Antonio e Ángel e, com sua amante Naty Revuelta, mais uma filha, Alina Fernández-Revuelta.

 

Depois de graduado, Fidel irá se dedicar a militância por meio do Diário Alerta e das emissoras Radio Álvarez e COCO, criticando duramente o golpe de estado perpetrado por Fulgêncio Batista em 10 de março de 1952 com o apoio dos Estados Unidos. Posteriormente, Fidel Castro se exila no México, onde irá planejar a primeira investida revolucionária.

 

Com efeito, a mal fadada tentativa de golpe viria em 26 de julho de 1953, quando Fidel, liderando um grupo de revolucionários, atacaram o Quartel Moncada, em Santiago de Cuba. Fidel Castro e os participantes do ataque foram presos e condenados a anos de prisão, contudo, desta derrota, surge o Movimento Revolucionário 26 de Julho.

 

Não obstante, Fidel Castro é anistiado em maio de 1955. Em liberdade, o revolucionário ira se dedicar ao diário La Calle por alguns meses, parte de Cuba e se exila no México, de onde viaja pelos Estados Unidos, reunindo os emigrados cubanos fiéis a sua causa e preparando um novo ataque, desta vez, sob a matriz de uma guerrilha rural.

 

Assim, em 1956, Fidel parte do porto mexicano de Tuxpan comandando dezenas de guerrilheiros (cerca de 80 homens armados), incluindo Ernesto Che Guevara. Eles irão se estabelecer em Sierra Maestra, região montanhosa e de difícil acesso, onde o Exército Rebelde Cubano continuou por cerca de três anos, período em que Fidel castro liderou seus homens em diversas batalhas vitoriosas.

 

Neste período, as idéias revolucionárias de caráter nacionalista e socialista eram divulgadas nacional e internacionalmente por meio do periódico El Cubano Libre e da emissora Radio Rebelde.

A ocupação de Santiago em 1958 pelo Exército revolucionário, o presidente Fulgêncio Batista foge no dia 1 de janeiro de 1959, facilitando a marcha revolucionária até Havana alguns dias depois. Sem espanto, Fidel Castro é nomeado ministro da República cubana, cargo em que permanece até 1976.

 

Com o afastamento em relação aos EUA, o novo regime cubano se aproxima da URSS, a qual ofereceu suporte econômico e militar ao novo governo de Cuba. Com isso, Fidel Castro declara um estado Socialista e introduz o modelo de economia nos moldes soviéticos.

 

A resposta estadunidense veio com o presidente Dwight Eisenhower (1890-1969), quando os EUA decretaram o embargo econômico a Cuba, bem como sua exclusão da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1960.

 

No ano seguinte, um grupo de mercenário financiados pelo governo norte-americano tenta invadir a Baia do Porcos, mas são derrotados pelos homens de Fidel. Em resposta, Fidel Castro permite a instalação de mísseis soviéticos em Cuba no ano seguinte (1962) desencadeando a “Crise dos Mísseis de 1962”. Os mísseis foram retirados após o governo estadunidense se comprometer a não mais invadir Cuba.

 

Em dezembro de 1976, Fidel Castro é nomeado presidente do Conselho de Estado (chefe do Estado) e presidente do Conselho de Ministros (chefe de governo) de Cuba e, no ano de 1977, Castro é nomeado pela Assembleia Nacional do Poder Popular a ocupar o cargo de Presidente dos Conselhos de Estado e Ministros.

Por fim, com o colapso da URSS em 1991, Cuba enfrenta sérias dificuldades sem os investimentos soviéticos, forçando-a ao racionamento de gêneros alimentícios e industrializados. Assim, para restabelecer a economia cubana, Fidel abre o país ao capital estrangeiro.

 

Como resultado desta reaproximação, em março de 1995, Fidel visita à França, marcando a reaproximação com as potencias capitalistas. Neste ano, Fidel castro recebe o Prêmio Mijail Sholojov da União de Escritores da Rússia em 1995. Em 1998 recebe o Papa João Paulo II em Cuba.

 

Em julho de 2006, devido a uma grave doença nos intestinos, Fidel Castro entrega o cargo de presidente em caráter provisório a seu irmão Raúl Castro. Em agosto, Raúl se torna o comandante das Forças Armadas, secretário-geral do Partido Comunista de Cuba e de presidente do Conselho de Estado. Em fevereiro de 2008, Fidel anuncia que no se recandidataria à presidente de Cuba, passando o poder definitivamente para seu irmão, Raúl Castro.

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