Fim da CTA começou com estatização da empresa, diz Coca Ferraz

Vice-prefeito de Araraquara critica, em artigo, medidas que levaram a companhia à extinção. Leia artigo na íntegra:

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Fim da CTA começou com estatização da empresa, diz Coca Ferraz
Imagem: Coca Ferraz, vice prefeito de Araraquara/ Arquivo

 

CTA: A VERDADE NUA E CRUA     

Coca Ferraz

No passado, a CTA ofertava um transporte coletivo de excelente qualidade, com tarifa das menores do país, e pagava aos funcionários salários superiores ao praticado no mercado. A razão: ter todas as vantagens da administração de uma empresa privada e não visar lucro (o superávit era investido na qualidade do serviço e em melhores salários).            

Também, é preciso reconhecer, sempre teve ótimos administradores: Paulo Elias, Moda Francisco, Tedde Neto, Elias Chediek, Marco Soares e por aí vai.

Na minha gestão, por exemplo, foram comprados, em 3 anos, 36 ônibus, implantado o terminal de integração, criadas 3 novas linhas e paga a pavimentação das vias de acesso ao Hortênsias e ao Vitório De Santi (o investimento retornaria para a empresa em 3 anos, com a economia na operação e manutenção dos ônibus e a arrecadação adicional do transporte de passageiros nos dias de chuva – impossível de ser feito com as vias em terra).     

Com a estatização da empresa no governo Edinho Silva, começou o fim da empresa – não por falta de aviso da minha parte, pois estive na Câmara de Vereadores falando sobre isso.

Vejam alguns números obtidos nos balanços da CTA. Entre 2000 (último ano do governo De Santi) e 2008 (último ano do governo Edinho), o custo dos serviços ofertados pela empresa aumentou 35,26% acima da inflação e o passivo, 154,98%. Um verdadeiro descalabro financeiro causado por três fatos: estatização da empresa, administração amadora e ausência de regulação do sistema de transporte. Mesmo com o aumento da tarifa média anual no governo do PT de 34,13% acima da inflação – o que significa que parte da conta dos graves erros cometidos foi paga pelo povo –, a situação da CTA ficou insustentável economicamente.

Com esse quadro, não havia outra alternativa a não ser a privatização do transporte coletivo. Aí ocorreu outro grave equívoco.  

Se a Prefeitura, no início de 2013, tivesse optado pela venda dos 86% das ações da empresa que possuía poderia ter auferido da ordem de 25 milhões (que seriam muito bem-vindos, por exemplo, no recape de ruas). O grupo comprador, em um prazo razoável preestabelecido, promoveria a substituição dos ônibus antigos por novos e faria os ajustes necessários no quadro de pessoal, pagando, é claro, as indenizações pertinentes – fato levado em conta ao se chegar no valor de 25 milhões. Essa foi a proposta que defendi em reunião sobre o assunto, após consultar especialistas e empresários do ramo.    

Tendo optado pela “venda” da concessão e extinção da CTA, sobrará para a Prefeitura, após a venda das instalações e da frota, cerca de 10 milhões. Um prejuízo da ordem de 15 milhões, associado a um atraso de 3 anos na melhoria do transporte e a situação traumática vivida pelos funcionários da empresa.     

        

Coca Ferraz é vice-prefeito de Araraquara