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Programa de prevenção ao HIV é lançado em Araraquara

Atendimento com a Profilaxia Pré-Exposição passará a ser oferecido a partir desta terça-feira (5) em Araraquara
Postado em: 05/04/2022 às 07:27
Autor: Redação
Programa de prevenção ao HIV é lançado em Araraquara
Imagem ilustrativa

Na tarde desta segunda-feira (4), a Sala de Reuniões da Prefeitura Municipal de Araraquara recebeu a solenidade de lançamento do tratamento de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que passa a ser oferecido a partir desta terça (5) na rede municipal de saúde. Em virtude da pandemia da Covid-19, o evento seguiu todos os protocolos de segurança sanitária e contou com transmissão ao vivo pela página da Prefeitura no Facebook, onde o vídeo encontra-se disponível para visualização.

A PrEP é um tratamento que faz parte de um conjunto de ações de prevenção combinada para o enfrentamento do vírus HIV, utilizado em vários países. É uma terapia eficaz de prevenção ofertada às pessoas em situação de maior vulnerabilidade ao HIV, baseada na combinação de dois medicamentos (tenofovir e entricitabina, em um único comprimido) que fortalecem o organismo no enfrentamento a um possível contato com o vírus.

O vice-prefeito e secretário do Trabalho, do Desenvolvimento Econômico e Turismo, Damiano Neto, que representou o prefeito Edinho na cerimônia, declarou que o lançamento é extremamente significativo, especialmente pelo fato da cidade sempre ter trabalhado, de forma efetiva, na prevenção e no tratamento do HIV. "Araraquara, mais uma vez, sai na frente e é referência, sendo uma das primeiras cidades da Diretoria Regional de Saúde (DRS-3) a implantar o tratamento PrEP. Isso só é possível também pela dedicação da equipe de saúde, da equipe de direitos humanos e da parceria com o SESA, que sempre se coloca à disposição do trabalho do município para contribuir com uma questão tão importante como essa. Agradeço a todos pelo empenho para que pudéssemos estar aqui lançando esse programa de tratamento tão fundamental para nossa cidade, que sem dúvida se faz muito necessário no cuidado com aqueles que têm risco de entrar em contato com o HIV e em situações de vulnerabilidade. Nosso desafio agora é alcançar esse público que precisa do tratamento", discursou.

A dra. Maria Clara Gianna, coordenadora-adjunta do programa Estadual de DST/AIDS de São Paulo, se mostrou otimista com o lançamento da PrEP em Araraquara. "O nosso caminhar é no sentido de avançarmos em política pública para as DST/AIDS no nosso estado. A pandemia foi muito complicada, pois impactou na questão dos testes e impactou na dificuldade de colocar a PrEP mais precocemente em Araraquara e em vários outros municípios. O impacto da pandemia foi muito cruel, mas está na hora de ocuparmos os espaços necessários para as outras políticas públicas que são tão importantes na nossa sociedade", salientou.

A médica Talitha Martins, coordenadora executiva da Atenção Básica de Araraquara, que representou a secretária de Saúde Eliana Honain, revelou que a implantação da PrEP é resultado de muita dedicação. "Quando acreditamos que poderíamos trazer a PrEP para a cidade, vimos que o ideal era uma coisa, mas tínhamos uma equipe reduzida e era preciso estruturar dentro da nossa realidade. Muitas vezes víamos que estava difícil, mas criamos alternativas. Eu acredito que não existe nada impossível e o que falta muitas vezes é vontade. Todos vocês fizeram um pouquinho e não tem uma responsabilidade de um ou de outro. Todos nós temos participação nessa conquista", ressaltou.

A responsável pelo programa IST/AIDS em Araraquara, Saliane Ribeiro, afirmou que a PrEP foi disponibilizada pelo SUS há mais ou menos cinco anos e a grande dificuldade que havia em Araraquara era de encaixar esse atendimento na agenda do município. "Fomos em busca do projeto, nos capacitamos, treinamos, lemos artigos, trocamos figurinhas, fizemos contato com enfermeiros de outros estados, fomos até São José do Rio Preto para conhecer o centro de lá, fomos para Ribeirão Preto e nos preparamos muito. Talvez tenha demorado um pouco por conta do capricho que tivemos de fazer bonito, de não retroceder uma vez que começássemos. Hoje estamos muito felizes por disponibilizar mais esse elo da mandala de prevenção e esperamos que esse elo possa beneficiar muitas pessoas", acrescentou.

O gestor de projetos da Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular, Albert Andreone, responsável pelo projeto "Close na Prevenção", destacou que agora é preciso difundir a PrEP na cidade. "A intenção desse serviço é que atinja o maior número de pessoas possível, ofertando principalmente o acesso com campanhas, chamamentos de inserção em todas as secretarias, coordenadorias e gestões do município, e que todos nós possamos falar a mesma língua e nos tornarmos multiplicadores desse serviço", citou ele, que chamou à mesa o médico Marco Antonio Ribas, gerente de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, que ajudou na construção da política pública.

A enfermeira responsável pelo atendimento de IST/AIDS do Serviço Especial de Saúde (SESA), Marisa Monteiro, também comemorou a implantação do tratamento na cidade. "Estamos muito felizes. A PrEP é uma ferramenta extremamente importante na contenção do vírus HIV. Estamos em uma caminhada de alguns meses, conversando e discutindo sobre o assunto, buscando parceiros para poder fazer esse enfrentamento de uma forma adequada, responsável e compromissada. E hoje estamos reunidos com todos esses parceiros que nos permitiram dar essa notícia boa para o município. Estamos muito satisfeitos, muito agradecidos, e nossos parceiros estão muito esperançosos e com muita vontade de acertar", avaliou.

A assessora de Políticas LGBTQIA+, Érika Matheus, não pôde comparecer à solenidade por estar com dengue, mas enviou uma mensagem para os presentes. "O compromisso com a prevenção e saúde não deve ser restringido à população LGBT e sim de forma intersetorial e interseccional, inclusive diante do aumento de pessoas hétero-cis que contraem o HIV/Aids e ISTs. O estigma de que pessoas LGBTs são os principais sujeitos que têm e disseminam estas infecções de modo geral ficou no passado. Entretanto, devemos trabalhar numa perspectiva de redução de danos para as pessoas LGBTs que têm certa exposição a estas infecções. Desta forma, é necessário criarmos uma rede de conscientização e prevenção que tenha como base o diálogo transversal e que tenha por objetivo reduzir os impactos sobre quem tem maior exposição em seu cotidiano. E, neste sentido, a Assessoria LGBTQIA+ segue à disposição no cuidado com este grupo tanto ao disseminar conscientização, prevenção e saúde, quanto trabalhar a não-estigmatização", pontuou.


Atendimento

A PrEP está indicada somente para pessoas com maior chance de se infectar, levando em consideração as práticas sexuais e os contatos de maior vulnerabilidade. Estes grupos contemplam: gays e outros homens que fazem sexo com homens; pessoas trans; trabalhadores do sexo; pessoas com parceiros infectados por HIV; pessoas com recorrência de IST’s (infecção sexualmente transmissível); e pessoas que fazem uso repetido de PEP (profilaxia pós exposição sexual).

Em Araraquara, o Programa IST/AIDS/CTA/SESA organizou esquema de atendimento com cinco polos, onde atenderá com o enfermeiro prescritor e um médico responsável, que além da PREP, também atenderá as demandas das intercorrências. Os polos de atendimento são: Polo Central - CTA (Centro de testagem e Aconselhamento) com a enfermeira Saliane Ribeiro; USF Jardim Cruzeiro do Sul com a enfermeira Ana Lucia Pereira; CMS Selmi Dei 1, com o enfermeiro Rogério Ornela; USF Jardim Indaiá, com o enfermeiro Vagner Prates; e o SESA (Serviço Especial de Saúde de Araraquara), com o  Dr. Murilo Carlos de Moraes.

Os agendamentos das consultas poderão ser realizados pessoalmente ou pelo telefone (16) 3333-6700.

Close na Prevenção

Vale destacar que Araraquara conta ainda com o "Close na Prevenção", projeto que prevê a elaboração de ações voltadas para a prevenção e o tratamento do HIV para toda a população de Araraquara, especialmente ao público vulnerável, que inclui universitários, população LGBT e a população jovem, de 15 a 39 anos, faixa etária mais acometida pelo vírus. O objetivo do programa é testar sorologicamente as pessoas para HIV, sífilis e hepatites virais, e fazer um grande trabalho de prevenção, aconselhamento e encaminhamento.