A investigação em torno do acidente com o avião da Chapecoense que causou a morte de 71 pessoas ganhou um capítulo importante nesta quinta-feira. Uma funcionária do aeroporto de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, disse que alertou para o risco da aeronave da LaMia ficar sem combustível ao ver o plano de voo. Ela pediu a mudança, mas foi ignorada.
O plano de voo mostrava que o tempo de viagem era igual à autonomia do avião, ou seja, a quantidade de combustível era suficiente apenas para chegar até Medellín, sem reserva para qualquer eventualidade.
Celia Castedo Monasterio, da AASANA (Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares de Navegação Aérea da Bolívia) disse que o despachante (responsável da tripulação por enviar o plano de voo) recusou a alteração do plano, dizendo que o avião chegaria ao destino mais rápido que o previsto.
Celia também alertou também para a ausência de uma segunda alternativa para pouso. Mesmo com todas as preocupações, o avião decolou. A funcionária foi afastada do cargo nesta quinta-feira.
Já Yaneth Molina, controladora de voo que manteve contato com o piloto do avião da Chapecoense, divulgou nesta quinta-feira uma carta em que diz ter feito o que era humanamente possível para evitar a tragédia e que está recebendo ameaças.
O Governo da Bolívia suspendeu dois executivos dos dois principais órgãos de aviação do país, a AASANA e a DGAC (Direção Geral de Aeronáutica Civil). A DGAC também suspendeu a licença de operação da LaMia.

