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Rio 2016: Brasil tropeça na Lituânia na estreia do basquete masculino

Empurrada pelo barulho ensurdecedor da torcida, seleção chega a reduzir para quatro vantagem que foi de 30 pontos, mas perde por 82 a 76 para lituanos

A torcida batia forte com os pés no chão, produzindo um som parecido com o de tambores nas arquibancadas da Arena Carioca 1, no Parque Olímpico da Barra. Com a voz, gritava a plenos pulmões a mensagem que queria passar ao time: “Eu acredito”. O ambiente não poderia ter sido melhor para a estreia da seleção masculina de basquete do Brasil nos Jogos Rio 2016. Mas depois de uma atuação desastrosa nos primeiros 20 minutos, nem a incrível reação no segundo tempo nem o barulho ensurdecedor da torcida foram suficientes para impedir a derrota por 82 a 76 para a Lituânia neste domingo (07).

Nem o mais confiante brasileiro acreditava que o Brasil poderia sair do buraco em que se enfiou na primeira metade do confronto. Com uma defesa confusa e um ataque estagnado, os donos da casa viraram alvos fáceis para a seleção número três do ranking mundial. Quando caminhou para o vestiário após os dois quartos iniciais do duelo, o time perdia dos lituanos por 58 x 29. Os quase 30 pontos de diferença tiraram até um pouco da empolgação dos torcedores, que aplaudiram timidamente a seleção na saída da quadra.

Na volta do intervalo, as mudanças começaram na formação da equipe, com a saída dos titulares Marcelinho Huertas, Alex, Nenê e Rafael Hettsheimeir. No lugar deles, o técnico Rubén Magnano colocou o jovem armador Raulzinho, o ala Marquinhos e os pivôs Augusto Lima e Cristiano Felício. O efeito foi imediato.

Mais coeso defensivamente, o time começou a incomodar os lituanos na marcação, que haviam convertido mais de 70% dos arremessos na primeira metade da partida. Aos poucos, a diferença que chegou a ser de 30 pontos foi sendo cortada. À medida que o placar do Brasil ia aumentando, subia também o volume na Arena Carioca 1.

O Brasil entrou no último quarto perdendo por 70 x 52. A Lituânia ainda tinha uma confortável margem de 18 pontos para administrar. A virada ainda parecia impossível. Mas os brasileiros seguiram martelando, principalmente com Leandrinho, cestinha do jogo com 21 pontos, Nenê, que havia voltado à quadra no lugar de Felício, e Raulzinho, que conduzia a equipe na armação das jogadas.

Faltando dois minutos e quatro segundos para o fim do jogo, Leandrinho converteu um arremesso de dois pontos e extinguiu qualquer dúvida de que o Brasil não poderia vencer o jogo. A Lituânia ainda liderava, mas por apenas quatro pontos: 75 x 71. O Brasil recuperou a bola, as arquibancadas deliraram mais alto do que nunca, mas o arremesso de Leandrinho que traria a diferença para apenas dois pontos bateu no aro e saiu. Ali acabou a reação da seleção.

Os lituanos voltaram a pontuar no ataque seguinte e abriram uma vantagem que agora sim era impossível de ser cortada. Com 16 pontos do armador Kalnietis e 15 do ala-pivô Jankunas, a equipe europeia saiu com a vitória da Arena Carioca 1. A primeira nos Jogos Rio 2016.

Nervosismo atrapalhou

Após a derrota, os jogadores brasileiros admitiram que o nervosismo foi um fator prejudicial na estreia olímpica. Segundo eles, o time não soube administrar as emoções encontradas na Arena Carioca 1.

“Não é fácil iniciar uma Olimpíada em casa com um jogo desses. Claro que o nervosismo falou bem alto no primeiro tempo. Deu uma pane. Não é um torneio normal, é a Olimpíada para nós. Ainda mais com torcida, família e amigos que você quer representar bem. Temos que entrar com a cabeça mais fria, mais concentrados”, opinou o pivô Nenê, um dos mais experientes do grupo.

“Foram dois tempos muito diferentes. Muita ansiedade e más decisões no primeiro tempo. Não foi a equipe que estamos acostumados a ver, com muita energia, defesa e que corre e consegue incendiar a torcida”, afirmou Marcelinho Huertas, que não entrou em quadra no segundo tempo por opção do técnico Rubén Magnano.

Um dos responsáveis pela reação brasileira no segundo tempo foi justamente o substituto de Huertas, o armador Raulzinho, que não reconheceu a equipe no primeiro tempo. “Não era o nosso time. O pessoal que veio ao ginásio não veio para assistir ao Brasil do primeiro tempo. Jogar em casa tem muita pressão e emoção envolvidos. Não soubemos controlar isso”, admitiu.

Para os próximos jogos, os brasileiros sabem que terão que trabalhar a questão emocional para evitar um novo apagão. Mas Rubén Magnano não quis usar o fator como desculpa para a derrota. “Seria muito fácil para mim dizer que a equipe se sentiu pressionada e que a culpa é da pressão. Estamos nos Jogos Olímpicos, jogando em casa. Temos que saber lutar contra isso também”, declarou o treinador.

Confiança para a sequência

Apesar de iniciar a campanha olímpica com uma derrota, o Brasil saiu de quadra de cabeça erguida e muito aplaudido pela torcida. Mais do que isso, a boa atuação e a recuperação no segundo tempo dá confiança para a sequência da competição.

“Para o ânimo do time é importante demonstrar para nós mesmos que temos condições, saber que o Brasil que jogou o primeiro tempo está longe de ser o time que somos”, analisou Huertas.

“Não seria nada bom para nossa confiança terminar o jogo 30, 40 pontos atrás. Tiramos uma vantagem boa. Não foi uma derrota normal, fica um gostinho diferente. Psicológica e mentalmente o segundo tempo foi bom para a gente”, disse Raulzinho.

“O segundo tempo foi maravilhoso. A Lituânia conseguiu a vitória pelo primeiro tempo que a gente teve. Nossa defesa foi muito fraca. Vamos vir com outra cabeça, outra determinação e com muita raça. Não tem nada perdido”, acrescentou Leandrinho.

Próximo compromisso

Depois de enfrentar a Lituânia, o Brasil tem outra pedreira pela frente nos Jogos Rio 2016. Na terça-feira (09.08), a seleção enfrenta a Espanha, uma das favoritas a um lugar no pódio da Olimpíada. A partida será novamente às 14h15, na Arena Carioca 1.

 

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