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STJ revoga prisão de acusado por morte em boate de Araraquara

Eduardo Carrascosa foi liberado após decisão do ministro, que considerou não haver motivos concretos para a manutenção da prisão

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu revogar a prisão preventiva de Eduardo Carrascosa Franco Machado, de 20 anos, acusado de envolvimento na morte de Fábio Luiz Alves Gaspar, mais conhecido como Fabinho Cross, de 40 anos, que ocorreu na casa noturna Almanaque, localizada no centro de Araraquara. A decisão foi tomada pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, que concluiu que não havia justificativas concretas para manter o jovem preso preventivamente. Eduardo foi libertado na segunda-feira (24).

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, Fabinho Cross foi brutalmente espancado no interior do estabelecimento, situado na Rua Gonçalves Dias. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) apurou que, após se comportar de forma considerada inadequada, Fabinho foi retirado do salão pelos funcionários e levado para uma área isolada, onde foi agredido até a morte. O laudo pericial confirmou que a causa do óbito foi asfixia mecânica por estrangulamento.

Seis pessoas estão sendo processadas por homicídio qualificado, acusadas de terem cometido o crime com agravantes, como motivo fútil e uso de asfixia, além de impedir a defesa da vítima. Segundo o inquérito policial, entre os envolvidos estão os seguranças Danilo e Adrian, além do gerente André, que teriam contido a vítima com uso excessivo de força. Eduardo Carrascosa, por sua vez, é acusado de auxiliar na remoção de Fabinho para um depósito da casa. Macieira teria aplicado um golpe de estrangulamento conhecido como “mata-leão”, enquanto outros agressores, revezando-se, continuaram a golpear a vítima com socos e chutes.

Após perceberem que Fabinho estava inconsciente, os acusados o colocaram em uma maca e o levaram para o hall da boate. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado, mas, apesar do atendimento, Fabinho não resistiu e faleceu na Santa Casa de Araraquara.

A decisão do STJ permite que Eduardo Carrascosa responda ao processo em liberdade, com a defesa alegando que ele é réu primário, possui residência fixa e exerce atividade profissional lícita, fatores que, segundo os advogados, diminuem o risco de fuga. Os dois seguranças permanecem detidos na Penitenciária de Taiúva, enquanto o gerente e o bombeiro civil ainda estão foragidos.

O julgamento ainda não tem data marcada, e o caso continua gerando grande repercussão em Araraquara, com a população clamando por justiça. O STJ reiterou que a prisão preventiva deve ser uma medida excepcional, aplicável apenas quando há fundamentos concretos para sua manutenção. No caso de Carrascosa, a Corte concluiu que ele não oferece risco à ordem pública nem ao andamento do processo.

A polícia pede que qualquer pessoa com informações sobre o paradeiro de André Macieira e Agnaldo Francisco entre em contato pelos números 181 (Disque Denúncia) ou 190 (Polícia Militar), garantindo o anonimato.

A advogada de Eduardo Carrascosa, Claudia Seixas, informou que não comentará a decisão, uma vez que o processo está sob segredo de justiça.

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