O elenco do futebol feminino da Ferroviária, que disputará a temporada de 2026, tem, na prática, metade das suas atletas formadas nos campos do Parque Pinheirinho, em Araraquara, denominado como “A Aldeia das Guerreiras”, marca que dá visibilidade ao projeto mais perene de futebol feminino do Brasil.
O projeto das Guerreiras Grenás teve início em 2001, e jamais foi interrompido. No início do século XXI, poucas cidades tinham a modalidade e poucos clubes brasileiros investiam no futebol para mulheres. Uma frase que é repetida várias vezes e com muito orgulho por mulheres e homens que dirigem o projeto é: aqui o futebol feminino não é uma obrigação, é uma escolha. A frase diferencia o clube do interior paulista das equipes grandes do Brasil que só começaram a montar equipes femininas permanentes quando a FIFA impôs aos seus filiados a obrigatoriedade da modalidade.
Desde as primeiras equipes, a Ferroviária acumula títulos em território nacional e internacional, são dois títulos sul-americanos, com as conquistas da CONMEBOL Libertadores Feminina; três títulos nacionais, sendo bicampeã do Brasileirão Feminino e campeã da Copa do Brasil, e quatro títulos estaduais. Mas, além dos troféus, muitas atletas são reveladas para o Brasil e para o mundo, como Bia Zaneratto, Aline Gomes e Natália Vendito, exemplos recentes.
Investir nas categorias de base se tornou uma marca das Guerreiras Grenás, que também possui suas conquistas em território nacional e na América do Sul. São quatro títulos da CONMEBOL Fiesta Evolución, sendo três com a categoria Sub-16 e um com a Sub-14, tornando a Ferroviária o único clube do continente, até hoje, a conquistar títulos sul-americanos na base e no profissional do futebol feminino. No estado de São Paulo, conquistou todos os títulos estaduais possíveis em competições realizadas pela Federação Paulista de Futebol.
Para a diretora Nuty Silveira, que comanda o projeto, só tem uma forma da Ferroviária sobreviver de forma competitiva a entrada dos “grandes clubes de camisa” na modalidade, é planejar o futuro, com racionalidade administrativa, e investir nas categorias de base. Hoje, o futebol feminino com a Escola das Guerreiras, que atende meninas de 6 a 10 anos, e as categorias de competição, Sub-13, Sub-15, Sub-17 e Sub-20, que em 2026 adotou o conceito de gestão de segunda equipe, tendo acesso a todos os mesmos processos e infraestrutura que a primeira equipe. Nas categorias de base, são 16 títulos acumulados, nacionais e internacionais, em absolutamente todas as categorias.
O resultado desse trabalho estruturado e contínuo nas categorias de formação, que envolve captação qualificada, desenvolvimento técnico e tático, preparação física, acompanhamento multidisciplinar, com assistência social, médico, fisioterápico, psicológico, pedagógico, nutricional, e alinhamento metodológico com o modelo de jogo do time profissional, oferece essa marca que já é histórica para a modalidade no Brasil, metade do elenco principal ser formado “em casa” sem perder competitividade.
Atualmente, integram o elenco principal atletas que percorreram o processo formativo dentro do clube, “as filhas da aldeia”: a capitã Nicoly, Luana, Vendito, Rhaissa, Fernanda, Ana Luiza, Dos Santos, Dudinha, Fogaça, Grazy, Isa Faichel, Kedima, Monique e Pyetra. Além da consolidação no elenco profissional, parte significativa dessas jogadoras também acumulam conquistas relevantes vestindo a camisa das Seleções de base:
Ana Luiza – Campeã do Sul-Americano Sub-20 (2024)
Dos Santos – Campeã do Sul-Americano Sub-20 (2024)
Grazy – Campeã do Sul-Americano Sub-20 (2024) e Sul-Americano Sub-17 (2022)
Kedima – Campeã do Sul-Americano Sub-17 (2022)
Luana – Campeã do Sul-Americano Sub-20 (2018)
Nicoly – Campeã do Sul-Americano Sub-20 (2015)
Pyetra – Campeã do Sul-Americano Sub-20 (2024)
Rhaissa – Campeã do Sul-Americano Sub-17 (2022)
Vendito – Bola de Prata no Mundial Sub-20 (2024), Campeã do Sul-Americano Sub-20 (2024) e Sul-Americano Sub-17 (2022)
Mas, a diretoria não está satisfeita com a marca de metade do elenco da equipe principal ser “cria” da “Aldeia das Guerreiras”. A meta, segundo Nuty Silveira, é buscar 70% da formação do elenco, mas sem perder a essência da competitividade, já que a Ferroviária quer continuar disputando títulos.
Todo este esforço, agora, está sendo premiado com a construção do Centro de Treinamento exclusivo para o futebol feminino. Uma parceria Petrobras, Fundação de Amparo ao Esporte do Município de Araraquara (Fundesport) e Ferroviária, tornando realidade um sonho antigo, o qual transformará a “Aldeia das Guerreiras” no CT mais moderno para o futebol feminino do Brasil. Quem estuda a modalidade, afirma que este será exclusivo na formação de mulheres para o futebol, o mais moderno do mundo. Essa afirmação deixa os idealizadores do projeto com muito orgulho e faz a Petrobras consolidar a sua imagem como a empresa que investe na recuperação histórica das injustiças que a modalidade sofreu no Brasil. O investimento que já totaliza 34,5 milhões de reais em infraestrutura. O futebol feminino foi proibido no Brasil, por lei no período do Estado Novo até a ditadura militar, de 1941 até 1983, por 42 anos.
O Centro de Treinamento contará com: um hotel para 82 meninas em fase de formação; seis campos já projetados, sendo um miniestádio, estruturado para jogos oficiais das categorias de base, e outro de grama sintética, todos com sistema eletrônico de irrigação; centro médico, fisioterapia, academia, restaurante, cozinha, estrutura pedagógica, psicológica, assistencial e recreação. Outra novidade será um ginásio de esportes que também está incluso no projeto. O objetivo é inserir o futebol de salão no processo de formação das atletas.
Toda a estrutura é para que o local receba meninas de todo o Brasil que queiram jogar futebol. O CT também está estruturado para receber clínicas, cursos e simpósios para a formação de profissionais que trabalham com o futebol feminino.
Texto e fotos: Rafael Zocco / Ferroviária
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