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Mutirão de catarata em Taquaritinga deixa 12 pacientes cegos; seis moradores de Matão estão entre os afetados

Complicações graves levaram à suspensão das cirurgias e à abertura de uma investigação pelo governo de SP no AME Taquaritinga

Uma falha na esterilização de materiais pode ter sido a causa de um grave incidente no Ambulatório de Especialidades Médicas (AME) de Taquaritinga (SP), que resultou na perda total ou parcial da visão de 12 pacientes após um mutirão de cirurgia de catarata realizado em outubro de 2024.

Os pacientes foram informados de que os casos podem ser irreversíveis. O caso está sendo investigado pelas autoridades de saúde do estado.

Entre os pacientes afetados está Maria de Fátima Garcia Chiari, de 67 anos, moradora de Matão. Ela relata que, após a cirurgia, realizada no dia 21 de novembro, sentiu dores intensas e foi medicada, mas seu quadro piorou nos dias seguintes.

No dia 1º de janeiro, sua visão ficou completamente escura. Maria de Fátima precisou passar por um transplante de córnea em Araraquara para salvar o globo ocular, mas não conseguiu recuperar a visão. “A córnea já estava derretida igual a um papel molhado”, disse. Outros cinco moradores de Matão também perderam a visão durante o mutirão. 

Outro paciente afetado, o pintor Carlos Augusto Rinaldi, de 66 anos, também perdeu a visão e aguarda novas avaliações médicas. Segundo ele, a falta de apoio após as cirurgias tem sido um dos maiores desafios. “Ficou o dito pelo não dito. Ninguém entrou em contato para prestar assistência, e os colírios e exames só conseguimos por insistência”, reclamou.

A Prefeitura de Taquaritinga informou que os pacientes foram incluídos na fila de transplante de córnea e que a Sala de Materiais para Esterilização do AME foi interditada após inspeção da Vigilância Sanitária.

Todas as cirurgias no local estão suspensas até que as investigações sejam concluídas.

A secretária executiva da Saúde do Estado de São Paulo, Priscilla Perdicaris, classificou o caso como “um fato isolado gravíssimo” e afirmou que toda a equipe envolvida foi afastada. “O governo estadual tomou conhecimento dos casos apenas em janeiro e enviou equipes para um levantamento detalhado”, declarou. O caso segue sendo investigado pelo governo de SP. 

Enquanto aguardam soluções, os pacientes lidam com as consequências drásticas da perda de visão, que compromete sua autonomia e sustento. “Confiamos nos médicos e saímos de lá sem enxergar”, lamentou Maria de Fátima. 

Fonte e foto: Alex Gasoni – Fala Matão