O futebol feminino no Brasil vive tempos de expansão e inovação. A chegada de Emily Lima para comandar a Seleção Brasileira, a primeira mulher da história a assumir o time brasileiro, é um marco dessa fase. A novidade é também um incentivo para que as treinadoras do futebol brasileiro ganhem ainda mais espaço no mercado. Michele Kanitz, de apenas 25 anos, é uma dessas profissionais. Licenciada e formada por meio dos Cursos de Formação da CBF Academy, Kanitz assumiu recentemente o comando técnico da Ferroviária, atual campeã da Libertadores Feminina, e enxerga em Emily uma inspiração para a sua carreira.
“A contratação da Emily para a Seleção é de extrema importância, pois mostra o quanto ela se qualificou para chegar nesta posição. Isso pode abrir novos espaços para as mulheres no futebol, desde que estas busquem sempre se aprimorar e trabalhar com coerência para alcançar degraus maiores, assim como fez a Emily/’, disse.
Definindo-se como “observadora”, Michele foi apresentada pelas Guerreiras Grenás no início de novembro. Ela, agora, prepara-se para o maior desafio de sua carreira: a Libertadores Feminina. A competição começa no próximo dia 6 de dezembro, no Uruguai, o que exige atenção de Michele para o tempo de trabalho.
“O trabalho está sendo desenvolvido para que a equipe chegue ao torneio da forma mais competitiva. A expectativa é de que possamos desenvolver um bom trabalho neste curto prazo de treinamento e que as atletas tenham bastante assimilação para desenvolver tudo o que foi planejado de forma estratégica até o dia da viagem”, declarou.
Em seu trabalho, Michele quer dar ênfase à manutenção da posse de bola na Ferroviária, mas jogando sempre de uma maneira vertical. Entre seus conceitos de jogo, estão ideias modernas como a compactação defensiva e a pressão na defesa.
“Gosto de explorar as transições, tanto ofensiva quanto defensiva, de forma eficaz, facilitando a organização entre as linhas. Como comportamento, pressão ao portador da bola, em bloco, para estar o mais próximo da jogada e assim induzir a adversária ao erro”, revelou.
Tudo isso será posto à prova quando a Ferroviária entrar em campo para a defesa de seu título continental, no Uruguai. Um desafio grande, não só pela conquista recente, mas pela história do clube de Araraquara. Michele acredita estar preparada:
“A responsabilidade é muito grande. Além do título da Libertadores, gosto de destacar toda a história construída desde que a Ferroviária foi criada. São anos de muito trabalho, com muita coerência e com profissionais que contribuíram para o processo. Agradeço a toda a torcida pela receptividade e pelos recados de boa sorte que venho recebendo. Gostaria de complementar que estamos trabalhando muito para que possamos atender às expectativas dessa torcida que sempre apoia as Guerreiras Grenás”, concluiu.


