InícioDestaque EsportesEx-afeano está entre os brasileiros que fugiram da guerra no Sudão

Ex-afeano está entre os brasileiros que fugiram da guerra no Sudão

Alex Silva, que defendeu a Ferroviária em 2016, chegou ao Brasil nesta quinta

O lateral-direito Alex Silva, que enfrentou dificuldades para deixar o Sudão por conta da guerra civil que já deixou mais de 200 pessoas mortas e outras 1,8 mil feridas, chegou ao Brasil nesta quinta-feira (27). O jogador de 28 anos, nascido em Nanuque-MG, defendeu a Ferroviária no Paulistão e na Copa do Brasil de 2016, quando foi emprestado pelo Atlético-MG, clube que o revelou para o futebol .

Alex fez a viagem com sua esposa e um grupo de brasileiros, que contava com quatro atletas e cinco pessoas da comissão técnica, todos do Al-Merreikh, clube do Sudão. Além do ex-afeano, estavam os atacantes Paulo Sérgio (ex-Flamengo) e Matheuzinho (ex-Vila Nova) e o defensor Sérgio Raphael (ex-Bangu e Duque de Caxias). Entre os integrantes da comissão técnica, estavam José Esdras e o técnico Heron Ferreira.

Alex chegou ao Al-Merreikh há três meses e morava na cidade de Cartum, capital do Sudão. O país do norte da África é um dos mais pobres do mundo e passa por uma crise humanitária há décadas, mas os conflitos se agravaram no dia 15 de abril, quando um grupo paramilitar ocupou o palácio presidencial. No dia 18, o lateral relatou as dificuldades que ele e os colegas viveram antes de deixar o Sudão.

O grupo ficou dias sem conseguir sair de dentro do prédio onde viviam. “Não sabemos quando isso será resolvido. Estamos buscando ajuda com o pessoal do Itamaraty. Eles estão em contato com a gente, mas também não podem fazer muito”, afirmou ele, na ocasião. Em algumas imagens feitas por ele em uma transmissão de vídeo, era possível ouvir o barulho dos confrontos.

Antes de deixar o país, os brasileiros precisaram racionar os estoques de alimentação, já que não conseguiam deixar o prédio. O fornecimento de água e luz também se esgotou nos últimos dias de confinamento. Eles aproveitaram uma trégua de três dias no conflito e conseguiram um ônibus para deixar o país. Passaram por diversas barreiras militares no caminho e chegaram à fronteira do Egito. O passo seguinte foi seguir para a capital Cairo, de onde partiram de avião para o Brasil.

Ao chegar ao aeroporto de Guarulhos nesta quinta, Alex mostrou aliviado. “Uma situação que ninguém esperava, passar por uma guerra. Nunca passei por isso: tiroteio, bombas, mísseis, falta de comida, essas coisas todas”, comentou o jogador, que também já passou por América-MG, Goiás, Avaí, Coimbra-MG e Operário-PR . De Guarulhos, ele seguiu para Belo Horizonte, onde reside sua família.

O conflito

Os confrontos entre um grupo paramilitar e o Exército do país africano já mataram mais de 500 pessoas, em menos de duas semanas. Pelo menos dois hospitais da capital foram evacuados depois de serem atingidos por foguetes e balas.

O conflito envolve o comandante do Exército, general Abdel Fatah al Burhan, líder de fato do Sudão, e seu número dois, o general Mohamed Hamdan Daglo, comandante das Forças de Apoio Rápido (FAR). Antigos aliados, os dois se juntaram em outubro de 2021 para dar um golpe que tirou os civis do poder.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu aos dois generais que “parem imediatamente com as hostilidades, que podem ser “devastadoras para o país e toda a região”. Um pedido similar foi apresentado pelos chefes da diplomacia do G7, no Japão.

Carlos Andre

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