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Técnica do vôlei feminino de Araraquara admite que time pode acabar

Sandra Mara Leão pediu ajuda a empresários para que a equipe não encerre suas atividades

A técnica da AFAV/Fundesport, Sandra Mara Leão, concedeu entrevista na tarde desta terça-feira no Gigantão, onde confirmou a notícia que veio à tona na segunda-feira, de que o time de vôlei feminino de Araraquara pode encerrar suas atividades ainda nesta semana, caso não surjam novos patrocinadores.

Vale salientar que a equipe vinha encontrando dificuldades para bater de frente com times de forte orçamento, mas a situação se complicou ainda mais no último mês de janeiro, quando os dois principais patrocinadores anunciaram a desistência do projeto. Mesmo com a indefinição sobre o futuro, a equipe entrou na disputa da Superliga B, onde até agora possui uma campanha invicta de três vitórias em três jogos, com a liderança isolada da competição que vale vaga na elite do vôlei nacional.

“É uma situação atípica para nós, porque a equipe está em primeiro lugar isolada, com 100% de aproveitamento, com o máximo de pontos que poderia conseguir nas três rodadas disputadas, próxima de se classificar em primeiro lugar. O time sonha grande em voltar à Superliga e voltar a colocar o nome de Araraquara no maior campeonato do Brasil, onde novamente estaríamos recebendo atletas e técnicos da Seleção Brasileira. Dentro de quadra está tudo bem, graças a Deus, mas fora de quadra tivemos esse problema financeiro que afetou e vem afetando a parte estrutural da equipe”, explica Sandra.

Para a treinadora, a única forma da equipe sobreviver é com a vinda de novos patrocínios. “Chegou num ponto em que não temos mais como caminhar e estamos pedindo socorro mesmo, porque nossa intenção não é parar e nem desistir. A nossa intenção não é fugir, correr e abandonar o nosso sonho. Pelo contrário, viemos a público para esclarecer e para que as pessoas tomem ciência do que a gente vem enfrentando. Porque quem vê uma equipe vencendo e fazendo jogos com placares muito bons, pensa que o time não tem nenhum problema. Então, como agora não temos mais para onde correr, resolvemos dividir com todo mundo o nosso problema porque ele é sério e se não resolvermos rapidamente, corremos o risco não só de não estar na Superliga A como acabar a equipe de voleibol feminino de Araraquara”, explicou a treinadora.

Os custos com o time são altos e giram em torno de R$ 40 mil mensais, entre folha salarial e gastos com a competição. Para os jogos em Araraquara, os gastos somente com a arbitragem giram em torno de R$ 6 mil por jogo, valor que dificulta ainda mais a continuidade do projeto. Situação ainda mais complicada ocorre nos jogos fora de casa, onde a CBV colabora apenas com a passagem aérea e todos os outros gastos ficam por conta da própria equipe. Com a perda do apoio, Sandra vinha tirando dinheiro de seu próprio bolso para bancar os gastos de viagens, hospedagem e alimentação das jogadoras.

“É uma declaração triste de se fazer, não é algo gostoso de vir aqui e falar isso. Expõe tanta coisa. Mesmo com tantos problemas, elas estão se superando. Não é confortável para mim falar que vendi um carro para pagar dívidas. Você vê tanto dinheiro indo para o esgoto, enquanto você vê uma equipe que está em primeiro lugar, que tem brio, que veste a camisa, que honra o nome da cidade, que é modelo para crianças, e mesmo assim você tem que vir aqui e pedir socorro. Mas não tenho vergonha de fazer isso, pois se todos que estão aqui, estão por amor, porque por dinheiro não dá para falar. Mas é tão triste para o esporte esse tipo de situação, porque estamos às vésperas de uma Olimpíada onde o Brasil é favorito ao titulo do voleibol. Temos um time em primeiro lugar e temos que vir a público expor as contas e pedir socorro. Não queremos nenhum luxo, apenas queremos trabalhar”, acrescenta.
 

 

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